sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Vocação e Felicidade


No diálogo Sobre a velhice, de Cícero, o maior orador romano, encontra-se este pensamento muito apropriado para quem deseja refletir sobre sua vocação cristã e humana neste mês vocacional: “Vivi de tal forma, que sinto não ter nascido em vão”.

Todo ser humano desembarca neste mundo vocacionado a ser humano. Essa é a vocação primeira e fundamental da existência humana. Os caminhos que lhe são propostos, no decurso de sua trajetória, devem conduzi-lo a tal meta. E são muitos os atalhos que ele encontra, cuja escolha depende do seu perfil pessoal e do meio onde se encontra. À medida que seleciona o certo e o percorre, cresce interiormente e integra-se melhor na sua comunidade mediante o serviço e o testemunho. E assim, de opção em opção, concretiza sua missão sobrenatural e histórica, que, conforme a antropologia cristã, faz parte do projeto divino da criação. 

Quando isso acontece, a pessoa realiza sua vocação e pode fazer suas as palavras de Cícero, porque está vivendo “de tal modo”, que tem a certeza de que, no fim, receberá o laurel dos grandes lutadores.

E qual é esse modo? É caminhar atento às solicitações do cotidiano, sem aguardar oportunidade de realizar façanhas notáveis. Estas, às vezes, são pedidas, mas não são o apelo mais comum no trivial da vida.

Entretanto o ser humano também está aqui para ser relativamente feliz, como antecipação da eterna bem-aventurança. E não há como viver a paz do Ressuscitado quando são deixados espaços vazios na sua vida.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por: D. Geraldo Majella Agnelo
Cardeal Arcebispo Emérito de Salvador

Lectio Divina, Domingo, 14 de agosto de 2011 - 20º Domingo do Tempo Comum – Ciclo A




Olá, Lectionautas!
Esta semana temos um ensinamento de como a fé rompe barreiras e de como ela pode alcançar a misericórdia de Deus.
Uma mulher não judia confia em Deus
O texto começa nomeando os lugares onde Jesus se encontrava: Tiro e Sidônia. As regiões de Tiro e Sidônia eram habitadas pelos gentios. Tiro era a Metrópolis dos cananeus, e Sidônia, o término da região pelo lado norte dos povoados cananeus.
O texto diz mais adiante: uma mulher desta região, que era do grupo a que os judeus chamavam cananeus, aproximou-se de Jesus e disse-lhe aos gritos:
— Senhor, Filho de Davi, tenha pena de mim! A minha filha está horrivelmente dominada por um demônio!
O evangelista ressalta o lugar de procedência da mulher quando diz: Certa mulher cananeia, que morava naquela terra. É importante saber que os cananeus haviam sido expulsos pelos judeus, que diziam que aqueles pervertiam o povo judeu, e por isso, os judeus os chamavam de cães. Também para recordar que, nos tempos de Jesus, a mulher era marginalizada da vida pública, e por isso, é duplamente importante esta apresentação de Mateus: é mulher abandonada (porque não tem um marido que interceda por sua filha, e deve fazê-lo sozinha) e é pagã, ou seja, não pertence ao Povo de Israel.
Nesta passagem, Mateus apresenta algo muito curioso: a mulher cananeia reconhece Jesus como Senhor e como Messias. Isto demonstra o contrário do que faziam os judeus, os quais não reconhecem Jesus como Deus. Em contrapartida, esta mulher, sim, reconhecia a divindade de Cristo.
O único pedido desta mulher é um apelo à misericórdia de Deus, rogando a Jesus que cure sua filha.
Contudo, encontramo-nos diante de uma cena jamais dantes vista: apesar das súplicas e possíveis prantos de dor desta mulher, o Senhor, que tanto ama os seres humanos, não manifesta desejo de responder-lhe.
Jesus não responde não por um gesto de orgulho semelhante ao dos judeus, mas porque, se respondesse, pareceria contradizer aquelas palavras que dissera antes aos discípulos: “Não vão aos lugares onde vivem os não-judeus, nem entrem nas cidades dos samaritanos”(Mt 10,5-6). Não queria que o caluniassem por estas palavras que havia dito anteriormente e, por isso, reservava para depois do momento de sua morte e ressurreição a salvação dos gentios.
É também interessante ressaltar que, com esta ausência de resposta de Jesus à mulher, ele está-nos mostrando a paciência e a perseverança da mulher.
Quando os discípulos procuram interceder pela mulher, Jesus responde-lhes: “Eu fui mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel”.
Jesus diz isto não porque não tenha sido enviado às demais nações, mas para indicar que Israel tinha sido o lugar aonde ele fora primeiramente enviado, e que depois de este povo ter rechaçado o evangelho, ele passaria, com justiça, aos gentios.
Devemos destacar três aspectos importantes desta mulher cananeia:
Em primeiro lugar: reconhece Jesus como Deus e, por sua fé em Deus, acredita que Jesus pode curar sua filha; por isso recorre a Ele e se prostra diante dele para adorá-lo.
Em segundo lugar: a paciência, pois apesar de suas súplicas serem desprezadas, ela continua implorando a misericórdia de Deus.
E em terceiro lugar: a humildade para conformar-se com as migalhas de pão que caem ao solo da mesa do Senhor. Tais fragmentos são suficientes para alimentar e satisfazer as necessidades desta mulher.
Depois de constatar estas atitudes da mulher cananeia, Jesus diz-lhe: “Mulher, você tem muita fé! Que seja feito o que você quer!”
Jesus enfatiza a confiança da mulher em Deus, a fim de que os que estão vendo aprendem como a fé e a confiança em Deus podem romper qualquer barreira; a perseverança, por sua vez, obterá o merecido prêmio.
Para levar em consideração: Os gentios eram chamados de cães pelos judeus porque eles praticavam a idolatria.
Outros textos bíblicos a serem comparados: Mc 7.24-30; Mt 10.6-8, 10.13
Para continuar o aprofundamento destes temas, pode-se consultar A Bíblia de Estudos NTLH, o verbete: FÉ.
Perguntas para a leitura
Em que regiões Jesus se encontrava?
A que grupo pertencia a mulher que se aproximou de Jesus?
O que gritava a mulher cananeia para Jesus?
Qual é a primeira atitude de Jesus para com a mulher cananeia?
O que os discípulos pedem que Jesus faça em relação à mulher?
Qual é a resposta de Jesus ao pedido dos discípulos?
O que faz a mulher ao aproximar-se de Jesus?
O que lhe diz Jesus a respeito da comida?
Qual a resposta da mulher aos limites impostos por Jesus?
O que Jesus faz ao ver a fé da mulher?
O que aconteceu com a filha da mulher cananeia?

Fonte: http://www.lectionautas.com.br/

Agosto e Setembro: Vocação e Bíblia



O entrelaçamento entre Vocação e Bíblia tem uma imagem apropriada no Evangelho de João, segunda parte do primeiro capítulo, versículos de 19 a 51. O quarto Evangelho marca o encontro entre João Batista e o aparecimento em público de Jesus: "Eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo" (v. 29). Com isso alguns discípulos do Batista passam a seguir Jesus. Três aspectos chamam a atenção nestes curtos parágrafos.
O primeiro se refere à pergunta de Jesus quando os dois discípulos intentam segui-lo: "O que vocês estão procurando?" (v. 38). Trata-se de uma pergunta fundamental. Tem claramente um tom antropológico, existencial, e não apenas de curiosidade. O que vocês estão procurando na vida? Que sentido dão vocês às atividades do dia-a-dia? De onde vocês vieram, para onde vão, quem são? É a pergunta pelo significado mais profundo da existência humana. Pergunta que acompanha cada um de nós do berço ao túmulo. Do nascer ao morrer, carregamos sobre os ombros a tarefa de encontrar uma razão para nossos dias, meses e anos. É uma pergunta dirigida a cada homem e mulher enquanto seres vocacionados. Pressupõe chamado e resposta, dom de Deus e busca humana, ou seja, as duas dimensões indissociáveis de toda vocação.
O segundo aspecto põe em evidência outra pergunta, desta vez dos discípulos, seguida da resposta de Jesus: "Mestre, onde moras?". "Venham e vocês verão!" (vs. 38-39). A replica de Jesus é notoriamente evasiva. Como se quisesse dizer que não possui moradia fixa: Jesus não mora, caminha. Sua casa é uma tenda, jamais uma fortaleza. Fortaleza é a casa que se fecha sobre si mesma, levanta cercas e muros, cultiva o isolamento. A morada de Jesus é o Reino de Deus, na terra Ele está de passagem. Forasteiro que arma sua tenda entre nós, mas mantém a condição de peregrino itinerante. Mais que isso, sua resposta convida os discípulos a segui-lo pelos caminhos com os olhos fixos na Casa de Deus. Migrantes entre os migrantes!
Por fim, temos o encontro entre Jesus e o desconfiado Natanael. E a grande surpresa para este: "Antes que Filipe chamasse você, eu o vi debaixo da figueira" (v. 48). Seria lícito imaginar a figueira como o lugar onde Natanael foge de tudo e de todos para destilar a amargura de seus momentos difíceis? Lugar da nudez, do "fundo do poço". Lugar do encontro consigo mesmo, com suas paixões, instintos, desejos, raivas, ciúmes, impotência... Afinal, em termos figurados, quem de nós não possui sua figueira, ou seus momentos de figueira? São as situações-limite da existência humana: doença, separação, fracasso, amor não correspondido, medos, angústias... Justamente ali Jesus diz ter visto Natanael.
E por isso mesmo Jesus o quer em seu grupo. Natanael, ao enfrentar-se com a própria nudez, com seus limites e fraquezas, está pronto para ser discípulo e depois missionário, utilizando a linguagem do Documento de Aparecida. A nudez da figueira abre espaço para uma maior compreensão em relação às limitações dos outros. Também ensina a desconfiar das próprias forças e a confiar na graça de Deus, nos irmãos e na comunidade. Numa palavra, a figueira depura e purifica o processo vocacional. Amplia o leque do amor, da misericórdia e da compaixão - palavras-chave na Boa Nova do Evangelho - especialmente em relação aos mais frágeis e desvalidos.
A experiência de Natanael, de olhar-se corajosamente no espelho, convida-nos a uma retrospectiva no caminho de nossa vocação. Quantas vezes nos vimos simbolicamente sob a figueira? Quantas vezes fomos tomados pelo desânimo, o desencanto, a tentativa de voltar atrás? Em cada um desses momentos, Jesus repete "eu vi você"! E envia um anjo - pessoa da família, companheiro ou amigo, superior, pobre ou migrante - para nos trazer um pedaço de pão e um jarro de água (como no caso de Elias, 1Rs, 19,1-8) e nos estimular a retomar a caminhada. Ora, se Deus esteve presente até hoje em nossos momentos de figueira, não será agora que irá nos abandonar. O "eu vi você debaixo da figueira" é uma garantia de que Jesus não chama apenas uma vez, mas continua a nutrir a vocação de cada um. Em síntese, vocação não representa um chamado e uma resposta em forma definitiva, mas um sim que tem de ser repetido durante todo o percurso da vida. Não é evento, mas processo lento e laborioso de amadurecimento.

Por: Alfredo J. Gonçalves, CS, superior provincial dos missionários carlistas e assessor das pastorais sociais.

Novo tempo da GRAÇA


Salvador, 12 de agosto de 2011.

Graça e Paz,           
A passagem do livro de Mateus sempre me interpelou.  Então disse Jesus aos seus discípulos: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, a perderá, mas o que perder sua vida por causa de mim, a encontrará. (Mt 16,24-26). Em janeiro de 2007 ingressei no Seminário Interdiocesano São João Vianney em Goiânia no intuito de estudar filosofia, foi um tempo ardo devido às exigências que a Ciência Filosófica nos faz. Mas, ao mesmo tempo um kairós.
Dezembro de 2009 conclui a graduação do curso de filosofia. Janeiro de 2010 dou início os estudos teológicos após uma longa reflexão pessoal, ter conversado com meu diretor espiritual e Dom Ricardo (in memória), nosso saudoso bispo.
Dezembro de 2010 após muitos dias de oração e ter consultado meu diretor espiritual tomo a decisão de retornar a minha amada diocese para digerir tantas teorias filosóficas e teológicas e ao mesmo tempo dedicar um pouco à pastoral. Assim, pela ocasião do Congresso Eucarístico que ocorrera em Brasília em novembro de 2010 converso com Dom Ricardo sobre tal desejo, onde fui acolhido e compreendido, meses depois, antes de retornar a diocese, devido às debilidades pós-cirúrgicas Dom Ricardo vem a falecer deixando-nos órfãos e abatidos, mas de imediato fomos consolados pelas palavras de Jesus presente no Evangelho de João: “Eu sou a ressureição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá”.
No dia 06 de dezembro retorno a minha diocese, onde Padre Eraldo com apoio dos padres Verneson e Iolando me encaminha para a Paróquia  Sant’Ana em Angical, cidade que tenho um profundo carinho e admiração, pois foi lá que vivi boa parte do meu discernimento vocacional. Desse modo já era de “casa”, o padre Reinan pediu para que eu acompanhasse a Catequese da Paróquia, dando formação para os catequistas e retiro, pediu que eu acompanhasse a Pastoral da juventude tendo a mesma missão e também pediu para que eu acompanhasse a Equipe do Meio Ambiente que foi uma louvável ideia da comunidade para fazer com que a campanha da Fraternidade não terminasse na quaresma, mas durante todo o ano, assim, visitamos diversas comunidades palestrando sobre a temática do Meio ambiente que é um problema que desafia todos os setores da sociedade, quanto religiosa quanto sócio-política.
Procuramos realizar um trabalho que fizesse com que a população sensibilizasse diante das “manchas” que descaracterizam o dom sublime da criação.
Neste período, que fique em Angical foi um tempo de graça, sou profundamente grato ao padre Reinan pela acolhida, e pelo o incentivo com seu testemunho de nos lançar na missão. Padre Reinan me ensinou com sua vida abraçar com profundidade a vida pastoral, anunciado a Boa Nova de Jesus, principalmente para aqueles que estão à margem. Obrigado Padre Reinan. Sou profundamente grato também à comunidade de Angical pela acolhida e pelo cuidado.
No dia10 de julho viajei para salvador para estudar o segundo ano de teologia na Faculdade São Bento, a pedido de Dom Josafá. Estou muito contente com minha vocação, com o chamado que Deus me faz. 

A todos os irmãos o meu muito obrigado!!

 
 
Por: Uilson Melo Barbosa
Seminarista da Diocese de Barreiras - BA