domingo, 2 de outubro de 2011

LECTIO DIVINA, Domingo, 02 de outubro de 2011, 27º Domingo do Tempo Comum – Ciclo A.

TEXTO BÍBLICO: Mateus 21.33-46


1. LEITURA - Que diz o texto?Pistas para leitura

Olá, Lectionautas!
Desta feita, a liturgia, retomando o Evangelho de Mateus, volta a apresentar-nos o tema da vinha, sendo que com mais força do que das vezes anteriores. Recordemos, em primeiro lugar, que Jesus está respondendo aos sumos sacerdotes que o haviam questionado acerca de sua própria autoridade.
O dono da vinha cede-a em locação a outras pessoas para que dela cuidem e nela trabalhem. A vinha, porém, não pertence a estas pessoas: estas apenas nela trabalham e devem pagar por isso. O dono, porém, é outro, e partiu em viagem.
“Quando chegou o tempo da colheita, o dono mandou alguns empregados a fim de receber a parte dele. Mas os lavradores agarraram os empregados, bateram num, assassinaram outro e mataram ainda outro a pedradas”.
Assim diz o texto: aqueles que alugaram a vinha não aceitaram que os verdadeiros servos viessem buscar a colheita. E os maltrataram.
“Aí o dono mandou mais empregados do que da primeira vez. E os lavradores fizeram a mesma coisa. Depois de tudo isso, ele mandou o seu próprio filho, pensando: “O meu filho eles vão respeitar.” Mas, quando os lavradores viram o filho, disseram uns aos outros: “Este é o filho do dono; ele vai herdar a plantação. Vamos matá-lo, e a plantação será nossa.”
— Então agarraram o filho, e o jogaram para fora da plantação, e o mataram.”
Quando Mateus fala de “seu filho”, está repetindo as mesmas palavras que o Pai pronunciou no Batismo de Jesus (Mt 3,17) e, a seguir, na Transfiguração de Jesus (Mt 17,5), onde o Pai sempre diz “escutem-no”, “obedeçam-lhe”.
Aqui se revela algo mais. Jesus está narrando uma história que, na realidade, é a história do Povo de Israel. Os primeiros servos que chegaram são os profetas que não foram ouvidos, sendo que alguns foram até perseguidos e assassinados. É uma advertência aos sumos sacerdotes que, conhecendo esta história, dão-se conta de que seus ancestrais é que maltrataram os profetas de Deus. Agora, no entanto, Jesus está-lhes dizendo claramente que “o dono da vinha”, ou seja, Deus enviou seu próprio filho pensando que o respeitariam. Todavia, os que alugaram a vinha, concluíram que este filho seria o herdeiro de tudo, e por isso, expulsaram-no da vinha e o mataram. Deste modo, Jesus acenava a que seriam os mesmos sumos sacerdotes que o enviariam à morte, levando-o para fora da cidade de Jerusalém. Jesus sabia da violência dos dirigentes do povo e via aproximar-se sua morte. E os acusa antecipadamente. Eles seriam os responsáveis por sua morte; são, portanto, assassinos. Jesus está oferecendo uma sociedade mais justa, fraterna, igualitária, e não com falsidades. Isto foi de encontro aos interesses do sistema no qual vivia.
A história diz-nos que os líderes de Israel não cultivaram bem a vinha, preparando-a para o Messias: apropriaram-se do povo e agora decidem matar Jesus porque Ele lhes está tirando o controle das pessoas humildes.
Logo depois de narrar-lhes esta história, Jesus pergunta aos sumos sacerdotes:
“E agora, quando o dono da plantação voltar, o que é que ele vai fazer com aqueles lavradores?
Eles responderam:
— Com certeza ele vai matar aqueles lavradores maus e vai arrendar a plantação a outros. E estes lhe darão a parte da colheita no tempo certo”.
Deste modo, eles mesmos é que dão a resposta do que irá acontecer. Jesus está acusando-os de não aceitar a mensagem de Deus, nem antes, com os profetas, nem agora, com Ele mesmo. E explica-lhes que, se não o aceitarem, neles se tornará realidade a referência do Salmo 118.22, que fala da pedra rejeitada pelos arquitetos do templo, transformada agora em pedra angular. (A pedra que é colocada no ângulo de um arco é a pedra que sustenta todo o arco com suas colunas). E, acima de tudo, Jesus acrescenta:
“— Eu afirmo a vocês que o Reino de Deus será tirado de vocês e será dado para as pessoas que produzem os frutos do Reino. Quem cair em cima dessa pedra ficará em pedaços. E, se a pedra cair sobre alguém, essa pessoa vai virar pó.”
O anúncio é claro: o Reino será dado aos que lhe obedecem em tudo! Aos que não obedecem, o peso da pedra (isto é, Jesus) cairá sobre eles.
Para levar em consideração: A Vinha é o Reino de Deus. É preciso entender esta parábola em todo o seu contexto.
Outros textos bíblicos a serem comparados: Isaías 5.1-7; Salmo 118.22
Para continuar o aprofundamento destes temas, pode-se consultar A Bíblia de Estudo NTLH, o verbete: Vinho
Perguntas para a leitura
  • Que fez o dono do terreno? O que plantou?
  • A quem contratou para cuidar de sua plantação?
  • O que aconteceu quando chegou a colheita? Quem enviou o dono do terreno?
  • O que fizeram com os enviados que haviam alugado o vinhedo?
  • Quem foi enviado, em seguida, pelo dono da vinha?
  • O que voltaram a fazer os locatários do terreno?
  • Por que o dono da vinha decide enviar seu próprio filho?
  • O que disseram os arrendatários da vinha quando viram o filho?
  • Que texto Jesus recorda aos que o escutavam?
  • O que acontecerá com os que não obedecem?

2 – MEDITAÇÃO

O que me diz? O que nos diz?
Perguntas para a meditação
  • Tanto a Igreja primitiva como a atual sabem que sua existência e sua razão de ser estão ligadas à fidelidade de continuar a missão de Jesus: tornar presente a novidade absoluta do reinado de Deus, reino de justiça, de paz e de amor.
  • Perante este texto tão importante, devo perguntar-me:
  • O Senhor confiou-me parte de sua vinha: estou consciente disto?
  • Quantas vezes deixo de escutar o Senhor por meio de seus enviados?
  • Posso ser um bom operário da vinha do Senhor, ou posso ser um assassino que quer ficar com tudo: estou consciente de que somente existem duas possibilidades?
  • O que significa “obedecer em tudo”, para poder ter acesso ao Reino de Deus?
  • De que forma rechaço as propostas de Deus?
  • Em síntese: o que me diz, hoje, esta parábola de Jesus?

3 – ORAÇÃO

O que lhe digo? O que lhe dizemos?
A oração é a resposta que damos a Deus que se nos manifesta por primeiro.
Comecemos esta parte fazendo nossa a bela canção que está o Livro de Isaías, capítulo 5,1-7:
Terminemos nossa oração pedindo ao Senhor a graça de saber diferenciar o caminho da salvação do caminho da perdição, e a força para escolher o melhor caminho.

4 – CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Esta parábola é tão importante que deveríamos colocar-nos nas mãos de Jesus e pedir-lhe que volte a contá-la para nós. Que seja Jesus mesmo a recordar-nos, hoje, como esta parábola pode aplicar-se a nós.
Façamos um momento de silêncio, tentando escutar o que Jesus quer dizer-nos hoje.
Poderíamos repetir várias vezes esta frase:
Senhor, quero pertencer a teu Reino.
Senhor, quero obedecer-te em tudo.
Senhor, mostra-me com clareza como obedecer-te sempre mais.

5 – AÇÃO

A que me comprometo? A que nos comprometemos?
Propostas pessoais
  • Fazer um bom exame de consciência, para descobrir as vezes em que, mesmo sendo cristão, “faço trapaças” e não obedeço ao Senhor. Pedir-lhe perdão por todas as vezes que não sou operário fiel de sua vinha.
Propostas comunitárias
  • Se estivermos em grupo, podemos fazer um propósito para esta semana e demonstrar à comunidade que estamos, sim, entendendo esta parábola, e realizar comunitariamente alguma obra de misericórdia.

Outubro, mês das missões


Não se abre uma rosa apertando-se o botão”, escreveu alguém.  É um pensamento muito próprio para uma reflexão sobre a vocação missionária do cristão para o mês que se avizinha: o mês de outubro, dedicado às missões. Jesus disse ao enviar os apóstolos para anunciar o ano da graça: “Eis que vos enviou como carneiros em meio a lobos vorazes” (Cf. Mt. 10,16). E, quando, mal recebidos em uma cidade, João e Tiago pretendiam mandar o fogo dos céus sobre aquele povo, mas Jesus os repreendeu “Não sabeis de que espírito sois. (Cf. Lc. 9,55).

A primeira atitude do missionário deve ser a mansidão. O anúncio da Boa Nova é um anúncio de paz. O texto do profeta Isaias lido por Jesus na sinagoga de Nazaré (Cf. Lc. 4,16-22)) e a si próprio aplicado, diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, eis porque me ungiu e mandou-me evangelizar os pobres, sarar os de coração contrito, anunciar o ano da graça”(Cf. Is. 61, 1-4)

E, logo a seguir, no Sermão da Montanha, revirando todos os princípios e conceitos que o pecado instilara nos corações dos homens, da sociedade e da cultura, declara bem aventurados os mansos, os misericordiosos e os que promovem a paz(Cf. Mt. 5)

A violência e a agressividade afastam os corações. Não é a toa que Santa Terezinha foi declarada padroeira das missões, ela que jamais transpôs as grades de seu convento e, partindo deste mundo aos vinte quatro anos, podia prometer que dos céus enviaria uma chuva de rosas sobre a terra. São Francisco de Sales, igualmente ensinava que se apanham mais moscas com uma gota de mel do que com um barril de vinagre.

Quanta paciência e compreensão mostraram os santos missionários de todos os tempos na inculturação da fé em corações duros e arraigados numa cultura pagã totalmente diversa dos caminhos cristãos. Davam tempo ao tempo, como o semeador aguarda com paciência o tempo da colheita.

Ainda no Evangelho lido na liturgia de dias atrás, diante da crítica dos fariseus, Jesus amorosamente acolhe a pecadora pública e lhe perdoa os pecados, e não reprime com exasperação o pecado dos “puros de todos os tempos”, mas os leva à conversão chamando-os ao amor.(Cf. Lc. 7, 36-50)  Assim também em outro episódio, uma ceia junto a publicanos e pecadores, o Mestre disse aos que o criticavam: “Não são os que tem saúde  que precisam de médico, mas os doentes. Ide aprendei o que significa: prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Cf. Mt.9, 10-14).

O plano salvífico de Deus não é imposto. Como na criação Deus respeitou a vontade do homem que optou pelo pecado, assim também o respeita na opção que ele faz diante da oferta da salvação. “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”, diz Santo Agostinho.

O cristão que tem, pelo batismo, a vocação missionária, a missão de anunciar a Boa Nova, tem de ter, ele próprio, um coração semelhante ao de Cristo, manso e humilde, como pedimos na jaculatória, “fazei nosso coração semelhante ao vosso”.

Paulo VI, na Evangelii nuntiandi exorta: “A obra da evangelização pressupõe um amor fraterno, sempre crescente, para com aqueles a quem ele (o missionário) evangeliza.” (nº 79) e cita São Paulo aos Tessalonicenses (2Tes. 8) como programa.

Refere-se ainda, exemplificativamente, a outros sinais de afeição que o missionário tem de ter em relação ao evangelizando: o respeito pela situação religiosa e espiritual das pessoas a quem se evangeliza; a preocupação de se não ferir o outro sobretudo  se ele é débil em sua fé e um esforço para não transmitir dúvidas ou incertezas  nascidas de uma erudição não assimiladas.

O missionário, ao levar a Boa Nova a um mundo angustiado e sem esperança ou cuja esperança se esgota com o último suspiro, não pode se apresentar triste e descorçoado, impaciente ou ansioso, mas deve manifestar uma vida irradiante de fervor e da alegria de Cristo.

Nesse espírito o missionário, sem tergiversar sobre sua fé e sobre a mensagem, abra sua voz para “propor aos homens a verdade evangélica e a salvação em Cristo,com absoluta clareza e com todo o respeito pela opções livres que a consciência dos ouvintes fará” (E.N 80). Lembre-se “não se abre uma rosa apertando-se o botão”.
Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Crise na Igreja? A resposta é a evangelização

Dom Odilo Pedro Scherer
Cardeal Arcebispo de São Paulo

A cruz da Jornada Mundial da Juventude passou por diversos lugares de nossa Arquidiocese durante 5 dias, na semana passada. Foram manifestações bonitas na sua acolhida, desde o Campo de Marte à Catedral da Sé, nas “vias dolorosas” da “Cracolândia”, nos lugares de humilhação da pessoa humana, entre os pobres da Favela do Moinho, na igreja da boa Morte e no Marco Zero da Praça da Sé, no Santuário de S.Judas, entre os estudantes, padres, religiosos e professores da Faculdade de Teologia, no Ipiranga; ainda entre os pobres e o “povo da rua” no Arsenal da Esperança e, finalmente, na igreja de Santana, entre crianças, adolescentes e jovens dos colégios e o povo todo, com suas manifestações tocantes de fé. Foi bonito!
Agora a cruz e o ícone de N.Senhora já peregrinam pelas dioceses da área metropolitana de São Paulo; o Cristo Missionário e Nossa Senhora da Visitação passam e vão ao encontro de jovens e não jovens! Muitos acolhem, com alegria, outros ficam indiferentes; outros, talvez, desprezam... Já foi assim no tempo de Jesus, na Galileia, Samaria e Judéia... Mesmo assim, ele veio para todos e vai semeando a Boa Nova, não se importando que caiam sementes no asfalto, entre espinhos ou em terreno pedregoso... Muitas outras caem em terreno bom e produzirão fruto. Graças a Deus!
Para todos os batizados, seus discípulos missionários, seus amigos e membros de seu corpo, que é a Igreja, este tempo é de renovação de nosso compromisso com a obra do Evangelho. Muito já se falou e se continua a falar de crise na Igreja. No Documento de Aparecida, fala-se dos fatores de crise e mudança, que marcam nossa época; e o Papa Bento XVI não se cansa de conclamar a toda a Igreja para uma nova evangelização.
Os números de levantamentos e pesquisas vão mostrando que diminui a adesão à religião tradicional e à Igreja. Há, sim, muita religiosidade e oferta de benefícios religiosos, como parte do mercado consumista, mas não como busca e anúncio de Deus e de seu Reino; o nome de Deus tornou-se uma espécie de “marca” para produtos, capazes de satisfazer desejos e de gerar muito lucro. “Não tomar o santo nome de Deus em vão”, já é advertência antiga da Lei de Deus! Há muita religiosidade individualista, sem conversão nem obediência a Deus, onde não é Deus e seu Reino que estão no centro, mas o homem, com seus desejos e projetos pessoais. Fruto da cultura individualista e consumista do nosso tempo. Será que Deus aprova isso?
Diante desse estado de coisas, qual é a solução? Entrar em pânico? Apelar para soluções mágicas? Apontar para culpados? Relacionar tudo com alguma questão interna da Igreja, como o celibato do clero, a pretendida ordenação sacerdotal de mulheres, a liberação do aborto, a aprovação do divórcio ou das uniões homossexuais pela Igreja, como se nisso estivesse a explicação para o distanciamento da Igreja e da religião? São lugares comuns e recursos fáceis para análises superficiais... Ainda mais, quando vemos que a questão não diz respeito somente à Igreja Católica. Outros grupos cristãos e não-cristãos estão enfrentando a mesmas dificuldades, e até bem mais sérias, do que a Igreja Católica. Deveria a Igreja esconder o Evangelho para contar com a simpatia das pessoas? Já dizia São Paulo que alguns pretendem esconder a cruz de Cristo, para tornar o Evangelho simpático... Pode haver Cristo sem cruz? Evangelho, sem a via dolorosa?
Coragem, Povo de Deus! Jovens, olhem para a cruz de Jesus! Enraizados e edificados em Cristo, fiquemos firmes na fé! Muitos já foram os momentos difíceis enfrentados pela Igreja ao longo de 2 mil anos. E a resposta não foi o desânimo, mas uma renovada aproximação de Cristo e de seu Evangelho; e um renovado amor também pela Igreja, com uma verdadeira conversão – “conversão pastoral e missionária” -, como se pede no Documento de Aparecida. A resposta à crise é evangelizar de novo e com nova consciência de que somos todos servidores de uma obra que não é nossa, mas de Cristo e de Deus. Coragem, portanto! Ele nunca abandona a obra de seu amor!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O ASSUNTO É VOCAÇÃO


A palavra vocação (etimologicamente) deriva do verbo latino VOCARE que significa "chamar". É a tradução do termo "vocatione" que quer dizer chamado, apelo, convite.
Na raiz está "vox", "vocis","voz". Vocação quer dizer chamado.
A vocação (teologicamente) é o chamado de Deus dirigido a toda pessoa humana, seja em particular, seja em grupo, em vista da realização de uma missão ou serviço em favor da comunidade. Vocação é o chamado do Pai por meio de Jesus Cristo na força dinamizadora do Espírito Santo.
- Vocação é o chamado de Deus que tem como finalidade a realização plena da pessoa humana.
- É um gesto gracioso de Deus que visa a plena humanização do Homem.
- É dom, é graça, é eleição cuidadosa, visando a construção do Reino de Deus.
- É um chamado para fazer algo, para cumprir uma missão.
- Toda pessoa é vocacionada, é eleita por Deus.
- Deus elege por causa de alguns (comunidade) e esta eleição se manifesta no nosso dia a dia. A mensagem do Evangelho à um convite contínuo a seguir Jesus Cristo: Vem e segue-me.
(Mt 9,9 ; Mc 8,34; Lc 18,22; Jo 8,12).
Vem-chamado: é um convite pessoal dirigido por Deus a uma pessoa.
Segue-me - Missão: é o seguimento da prática de Jesus.
É uma iniciativa gratuita, proposta que parte de Deus (dimensão teológica). Impulso interior de cada pessoa onde conscientemente responde ao plano de amor de Deus (dimensão antropológica).
Como Deus chama?
- Pessoalmente e pelo nome.
- Pelos valores que nos atraem.
- Pela Comunidade.
- Pelas necessidades da Igreja e do mundo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

LECTIO DIVINA, Domingo, 25 de setembro de 2011, 26º Domingo do Tempo Comum – Ciclo A.

 

TEXTO BÍBLICO: Mateus 21.28-32

1. LEITURA 

Que diz o texto? - Pistas para leitura

A liturgia deste domingo, assim como aquela do domingo passado, apresenta-nos um tema sobre a Vinha. O vinhedo, ou vinha, é o lugar, normalmente cercado onde se cultivam as plantas da videira, donde se colhem as uvas e do suco destas se faz o vinho. Embora estas plantas deem fruto uma vez por ano, o trabalho de cuidar de um vinhedo ocupa todas as estações, porque exige muita atenção.
Jesus começa seu discurso dizendo aos sumos sacerdotes: — E o que é que vocês acham disto?
O pai da parábola com o qual ele começa a narração é o “dono da vinha” (fórmula que aparece com bastante frequência na Bíblia), que chama seus dois filhos para que vão trabalhar em seu campo. Um diz que não mas, a seguir, pensando melhor, decide ir trabalhar; o outro diz que sim mas, em seguida, dado que lhe veio a preguiça, não foi trabalhar. Desta maneira, Jesus está respondendo também aos sumos sacerdotes que lhe haviam perguntado sobre sua autoridade.
O tema em questão é muito claro: trata-se de fazer ou não fazer a vontade de Deus, o Pai, que não somente é o dono da vinha mas, antes de mais nada, “Pai”. Por conseguinte, ao pedir que vão para a vinha, não está mandando trabalhadores comuns, mas seus próprios filhos. Isto não é, pois, humilhante para eles, visto que, no final das contas, a vinha é a herança que receberão. A atitude de obediência que ele pede é a de filhos.
Recordemos que a obediência (escutar bem) leva à vida, ao passo que a desobediência conduz à morte. No entanto, nesta leitura, é importante lembrar as convenções sociais da época de Jesus. Quem agiu bem? Aquele que respondeu sim a seu Pai… Contudo, a pergunta de Jesus vai muito além daquilo que socialmente se desejava e, por isso, ele diz explicitamente no final: Qual deles fez o que o pai queria?
O que importa não são as aparências externas mas, ao contrário, o interior da pessoa. Aquele que honra a Deus não o faz por meio de rituais externos, mas dignificando sua vontade e de coração. Pode até ter dito não mas, por fim, “converte-se” e muda, então, de conduta e atende ao que o Pai pediu.
Vemos aqui, com clareza, o que é uma “obediência fingida”, que talvez diz sim mas, no fundo do coração, diz não. A isso se chama hipocrisia. Conseguintemente, aquele que disse sim e não cometeu duplo delito: não somente por não ter trabalhado na vinha de seu pai, mas também por ter-lhe mentido, falseando a relação com seu pai.
Em contrapartida, o filho menor, posto que tenha dito que não queria ir, obedeceu tardiamente. Talvez amadureceu e venceu a si mesmo; “converteu-se” e, por isso, mesmo que tenha magoado seu pai por ter-lhe dito que não iria, esta dor será sanada com o fazer a vontade do pai.
No tempo de Jesus, a própria ortodoxia havia criado uma mentalidade centrada nas aparências. No entanto, Ele muda esta mentalidade, fazendo do interior do coração, não das aparências, a verdadeira atitude religiosa. O “filho verdadeiro” é aquele que pratica a justiça, fazendo o que o Pai quer. As relações autênticas estabelecem-se com o compromisso; as aparências de obediência (ou seja, palavras, apenas) não criam relações verdadeiras e genuínas com Deus, o Pai.
Jesus está condenando os formalismos que se fazem sem a sinceridade do coração. Contudo, isto não é algo próprio dos costumes na época de Jesus. O que ele condena é o formalismo dos sumos sacerdotes que o estavam interrogando. Eles haviam rechaçado João Batista e, agora, rejeitam Jesus. Unicamente por formalismos… Eles, que representam os “bons” da época, na verdade são os que dizem sim, mas não cumprem a vontade de Deus Pai. Em compensação, os “maus do momento”, representados pelos cobradores de impostos e pelas prostitutas, caso se convertam, conquistam a herança da Vinha do Senhor.
Para levar em consideração: O dono da Vinha é Deus Pai. Os filhos somos nós, que podemos ou não fazer a sua vontade.
Outros textos bíblicos a serem comparados: Ezequiel 18.25-28 (é a primeira leitura).
Perguntas para a leitura
  • Quem são os que perguntaram a Jesus sobre sua autoridade? (confira a passagem anterior).
  • O que possuía o Pai da parábola?
  • O que lhe disse o primeiro filho?
  • O que respondeu este filho ao ser chamado por seu pai?
  • Depois de reconsiderar, o que fez este filho?
  • O que disse o pai ao outro filho?
  • O que este lhe respondeu?
  • Qual foi a pergunta que Jesus fez aos sumos sacerdotes?
  • Na conclusão do texto, quem são as pessoas de má fama?
  • O que acontecerá se estas pessoas de má fama se converterem?

2 – MEDITAÇÃO

O que me diz? O que nos diz?
Perguntas para a meditação
  • Perante este texto tão importante, devo perguntar-me:
  • Quantas vezes coloquei o Senhor à prova?
  • Normalmente, quando compreendo que há um chamado do Senhor e da Igreja, como respondo? Digo sim imediatamente? E em seguida… as circunstâncias me impedem de responder verdadeiramente?
  • Sou capaz de repensar quando minha intolerância ou minhas irritações me fazem dizer que não? Consigo, pois, pedir desculpas e refazer as coisas segundo a vontade de Deus?
  • Quais são as coisas em que mais me custa cumprir a vontade de Deus?
  • O que poderia fazer para mudar de atitude?
  • Que significam os formalismos religiosos em minha vida? Em que momentos sou um formalista? Posso melhorar?
  • O Senhor pede-me conversão. Sou capaz de assumi-la?

3 – ORAÇÃO

O que lhe digo? O que lhe dizemos?
A oração é a resposta que damos a Deus que se nos manifesta por primeiro.
Senhor, coloco-me em tua presença primeiramente para agradecer-te. Tua Palavra Eterna reflete minha vida como um espelho. Aqui é onde me vejo: refletido em tua Palavra. Muitas vezes sou como aquele filho que disse sim, mas não foi. E isto me dói interiormente.
Ajuda-me, Senhor, a sair dos formalismos quando são fingimentos da verdade. Ajuda-me a ser sincero comigo mesmo e com os demais.
Em determinados momentos, também, sou como o outro filho, que disse não mas, a seguir, foi para a vinha. Quero que me dês a atitude sadia e correta de responder-te com toda a liberdade que sim, que desejo fazer a tua vontade, tanto expressando este desejo quanto fazendo-a verdadeiramente.
Permite que eu tenha um coração disposto a mudar, que minhas atitudes de fechamento em meus vícios e pecados me levem a entender como estou mal e como necessito de tua salvação e de teu perdão.
Obrigado, Senhor, por ajudar-me a crescer mais no conhecimento interior e a cumprir tua vontade. Faze com que meu coração diga sempre:
“SENHOR, EM TUA VONTADE ENCONTRO A PAZ”.

4 – CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Este texto, presente somente no evangelho de Mateus, deve levar-nos a uma autocompreensão maior de nossa condição de cristão. Deste modo, é importante refletir e continuar a voltear em torno das ideias principais que nascem do texto.
Convidamos você a buscar a ideia principal que Deus lhe oferece neste texto, a fim de que você continue a repeti-la várias vezes em sua vida.
Ensina-me, Senhor, a cumprir tua vontade.
Não quero ser falso e dizer sim, quando, na verdade, não faço o que me pedes.
Que não seja um cristão de ritualismos, mas de coração.
Ensina-me, Senhor, teus caminhos.
Dá-me a graça de poder converter-me a Ti.

5 – AÇÃO

A que me comprometo? A que nos comprometemos?
Propostas pessoais
  • Revisar as atitudes internas de ritualismos vazios que cultivo. Pedir perdão a Deus e àqueles a quem quero impressionar, dizendo-lhes que, às vezes, ajo por formalidade e para que me observem, muito mais do que para agradar a Deus.
Propostas comunitárias
  • Fazer uma lista das coisas que fazemos sem profundidade, e propor-nos fazer a vontade do Senhor.
  • Ir em busca de pessoas que talvez sejam menos agradáveis aos olhos do mundo, e apresentar-lhes a Boa Nova. Ser missionários de Jesus, para que todos possam converter-se ao Evangelho da vida.

Juventude será tema da CF 2013

 
Durante a reunião do Conselho Episcopal de Pastoral (Consep), foi definido o tema da Campanha da Fraternidade 2013. Tendo em vista a realização da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro neste mesmo ano, os prelados optaram por um tema que estivesse diretamente ligado aos jovens.

Com isso, a Campanha da Fraternidade terá como tema: "Fraternidade e Juventude" e o lema escolhido é: "Eis-me aqui, envia-me" (Is 6-8). Essa não será a primeira vez que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) coloca o público juvenil como protagonista da campanha. Em 1992, um ano após a segunda visita do Papa João Paulo II ao Brasil - que tinha uma ligação muito próxima com os jovens - o tema escolhido para a campanha foi: "Juventude - caminho aberto".

O Setor Juventude da CNBB elaborou um documento pedindo para que todas as pastorais, movimentos, congregações religiosas, novas comunidades, entre outros, somem forças para solicitar aos bispos brasileiros, a aprovação da proposta. Segundo informações do órgão, 300 mil assinaturas já foram recolhidas, graças a mobilização dos jovens em todo o país.

Concorreram com o tema outros assuntos, como por exemplo, a mobilidade humana, o tráfico de pessoas e o trabalho escravo. Porém, não receberam votos suficientes para a escolha.

A escolha é feita com dois anos de antecedência. Em 2012 a campanha abordará a "Fraternidade e Saúde Pública".


Brasília (Quinta-feira, 22-09-2011, Gaudium Press)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

São Desidério celebra tradição do Divino



  
A manhã de terça-feira, 20, foi especial para a população de São Desidério. Na data foram realizados os festejos do Divino Espírito Santo que teve como imperador o pequeno Leonardo Vinícios.
   Os preparativos para a festa deste ano começaram ainda no ano passado, mais precisamente no dia 20 de setembro  de 2010, quando Leonardo foi sorteado para o cargo. Desde então a família do garoto e os devotos do Divino iniciaram os trabalhos de organização para esta que é uma das tradições mais antigas do município.
    Moradores mais idosos da cidade lembram que esta manifestação é secular e que a data fixa é consequência da peregrinação dos primeiros padres que celebravam missas uma vez por ano na localidade. Oficialmente o Divino ou Pentecostes, é comemorado 50 dias após a Páscoa.
    Para a mãe de Leonardo todo o esforço foi recompensado ao sentir que sua fé está ainda mais viva. “Este momento é único, um sentimento de profundo amor a Deus e ao Divino”, disse Maria Augusta Câmara que agradeceu a participação e o apoio de toda a comunidade.
    Durante a missa solene, foram sorteados os novos responsáveis pelos festejos de 2012. A corte do Divino será liderada pelo imperador  Nerito Carvalho que  por coincidência é o secretário municipal de Cultura de  São Desidério e um dos incentivadores da tradição. Ele recebeu a coroa das mãos de Leonardo.
    “Para mim este é um momento especial de pura alegria, daremos continuidade a essa belíssima tradição”, comentou o novo imperador. A partir de agora recomeça o processo que culmina na festa, colher donativos, levar a bandeira às casas do município, realizar a pegada do mastro e atualizar a lista de interessados para os cargos de 2013.

Texto e Foto: Jackeline Bispo