quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Trajetória de Dom Ricardo na Diocese de Barreiras

 








Foi realizada no dia 03 de outubro de 2011 às 19h30min na Casa da Cultura em Barreiras a apresentação da Trajetória de Dom Ricardo na Diocese de Barreiras.

A mediação do evento foi realizada pela professora Divina que nos apresentou alguns aspectos da história de Dom Ricardo: sua chegada, missão, desafios, característica geográfica do território da Diocese etc.

Em seguida Dom Josafá foi convidado para fazer a abertura do evento. Cumprimentou a todos desejando boas vindas e expressou sua alegria em proporcionar ao povo da Diocese, esse momento, para fazer memória da trajetória do primeiro Bispo, disse: “preparar o memorial de Dom Ricardo é continuar o seu legado, apreciar o trabalho da professora de História, Alessandra com a colaboração dos alunos João Paulo e Mirley, é falar de memória é favorecer o exercício do ‘curso de história’. É de suma importância aprofundar no pastoreio de Dom Ricardo, um pastor que amou a Diocese de Barreiras com o coração de Cristo Redentor dos Homens. A exposição que será inaugurada amanhã, fruto do trabalho de pesquisa dos historiadores, tem um pouco de Dom Ricardo, embora não termina nela... queremos ampliar: publicar um livro, construir o Memorial Dom Ricardo e a Igreja de São Bento. Bem vindos a esse tempo de fazer memória de Dom Ricardo”.

Ao longo desse ato cultural, tivemos o testemunho do Coordenador da Pastoral da Juventude Weslei, que elencou a grande preocupação de Dom Ricardo pela juventude; tivemos também a animação do ministério de música do Santuário Perpétuo Socorro e uma apresentação coreográfica dos jovens da Paróquia Santa Rafaela Maria.

Outro momento muito esperado foi à apresentação da Pesquisa dos historiadores sobre a Trajetória de Dom Ricardo na Diocese de Barreiras. No decorrer da apresentação foram projetadas fotos que ilustram cada década da missão de Dom Ricardo. A professora Alessandra concluiu: “espero que a apresentação da exposição possa ajudar a compreender o sentido do trabalho de Dom Ricardo que é a promoção da cidadania”.

Um vídeo com depoimento de Dom Ricardo na Assembleia do povo de Deus, em comemoração aos 30 anos da Diocese de Barreiras, emocionou aos presentes. No vídeo Dom Ricardo ressalta: “a unidade é essencial na Igreja. A Igreja não exclui ninguém, todos são da Igreja, você batizado é Igreja... Precisamos ter coragem de falar da Igreja, de falar de Jesus Cristo. Vocês católicos tem que ser firme, não podem ser frocho. Precisamos viver nossa fé Católica com mais coragem, anunciar o Evangelho do amor de Deus... tenha cuidado com o Domingo, dia do Senhor. Vocês devem ter cuidado com a liturgia do Domingo. Só podemos viver se vivermos em comunhão com o Senhor... eu vi nesses anos muitas coisas bonitas... só temos sentido com Cristo o Redentor dos Homens”.

Para encerrar o ato cultural Dom Josafá concluiu: “... fico feliz em trazer a vocês um pouco de Dom Ricardo, agradeço a todos por esse trabalho... é apenas o começo... Abençoe o Deus Todo Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, Amém. Boa Noite a todos”.

Por, Daniel Luiz,
Com os olhos fixos no Crucificado-Ressuscitado.

Exposição do Memorial Dom Ricardo


 



No dia 04 de Outubro de 2011 às 08h30min no Palácio das Artes, Dom Josafá Menezes da Silva inaugurou a Exposição do Memorial Dom Ricardo. Estiveram presentes padres da diocese, diversas religiosas, juventude, lideranças das comunidades e autoridades civis.
            Em seu discurso de abertura Dom Josafá nos lembrou que o Memorial foi fruto do trabalho dos historiadores apresentado na noite anterior na Casa da Cultura, por isso, é um prolongamento daquela noite. Também o Bispo nos recordou do primeiro discurso de Dom Ricardo ao povo de Barreiras: “não tenha muita perspectiva de mim... quero apenas vos mostrar o rosto de Jesus Cristo o Redentor dos homens”.
            Em seguida Dom Josafá aspergiu os visitantes com água benta e junto com a prefeita de Barreiras, Jusmari descerrou a faixa, dando inicio a visitação ao memorial.
            Ao longo do dia muitas pessoas passaram pela Exposição, muitos visitantes ficaram emocionados ao verem objetos de uso pessoal de Dom Ricardo, como também reverem por meios de fotos, vídeos e escritos fatos que marcaram o pastoreio do primeiro Bispo da Diocese de Barreiras.
            A Exposição do memorial Dom Ricardo fica aberto ao público até a sexta-feira das 08:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:00.

Por, Daniel Luiz,
De olhos fixos no Crucificado-Ressuscitado.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Uma vocacionada chamada Maria.


Quando se ama de verdade, quando se tem fé infinita, quando se confia plenamente em alguém, quando se vive a ausência do egoísmo em seu ser, significa que se tem algo mais fascinante e valoroso a impulsionar o coração humano em saborear com mais alegria sua existência neste mundo. É algo que toca e contempla profundamente o ser, num ato total de abandono em Deus.
De tais atitudes se tem uma conseqüência: entregar a vida em prol da felicidade, da paz e da justiça para todos. Em Maria fez tudo isto e muito mais, pois teu testemunho de vida avança pelos horizontes dos corações de todos os homens e mulheres, sendo um exemplo vivo e fraternal da presença misericordiosa de Deus.
Maria, ao dizer sim, carinhosamente colocou-se disponível ao plano de Deus, acolhendo este chamado e louvando a Deus pela escolha, sempre em espírito de humildade, gratidão e fé. Maria, disse um sim decidido e confiante, ciente do compromisso para com o Senhor e do seu plano de redenção. Creio que a vocacionada chamada Maria, Senhora nossa e de todas as vocações, sugere que sejamos neste mundo, imitadores de seu gesto, estando livres para servir e conscientes de nossa importância na vida do outro. Hoje ela nos diz que cada um é importante: seja para sua família e amigos, seja para a comunidade e nos trabalhos pastorais que nela desenvolve. Assim, é preciso acreditar, com aquela certeza inabalável de Maria, tanto na Providência Divina, quanto na possibilidade real da felicidade em cada coração humano, apesar dos obstáculos que por ventura devamos transpor. Também devemos acreditar em nós mesmos e nos dons que Deus ofertou ao nosso viver, como fielmente o fez esta humilde serva do Senhor, mãe dos apóstolos e Rainha da paz.
Através de Maria nos foi concedido Aquele que nos libertou do pecado, da escuridão e da falta de esperança. Assim, em espírito de oração, esperança e reconhecimento, ousamos dizer: Maria, mãe do silêncio e senhora de si mesma, viemos a ti, face a face, para que sejamos revestidos da graça infinita de nosso Deus e possamos ser em nosso caminhar um reflexo de sua generosidade, assumindo com coragem e dedicação a missão que teu filho Jesus nos confia nesta vida, certos de que jamais caminharemos sozinhos, tendo sempre a tua proteção. Obrigado mãe, de teu sim a Deus aprendemos que podemos servir em prol da vida, da justiça e do amor, para a glória de teu filho Jesus. Maria, fortaleza inabalável de nossos passos, mãe das vocações e do ressuscitado, rogai por nós!

Colaboração: Eudes Lemos -  eudesvoc@bol.com.br


Governador confirma horário de verão na Bahia.


Antes de cair no sono no próximo sábado (15), os baianos terão que adiantar os relógios em uma hora. Assim como as regiões Sul, Sudoeste e no Centro-oeste do Brasil, a Bahia retorna para o horário de verão após decisão do governo. A adesão foi tomada depois do resultado de um levantamento solicitado pelo governador Jaques Wagner, sobre o nascer do sol no período do chamado ‘horário de verão’.

“Peço desculpas para quem discorda da decisão, mas ela foi tomada depois de muita consulta e muita consciência”, disse Wagner em entrevista ao programa Balanço Geral da TV Itapoan.

Agora, a Bahia é o único estado do Nordete a seguir o horário da capital Brasília, depois de 8 anos. “Não é um sacrifício tão violento esses 35 minutos de diferença. Perde meia hora quando acorda, mas ganha meia hora no final do dia”, justifica o governador sobre a luminosidade do dia.

Empresários do estado já
haviam manifestado o desejo de que o horário de verão voltasse ao estado e chegaram a divulgar uma pesquisa apontando os benefícios que tal medida traria para a economia e a rotina dos baianos. O documento, organizado por representantes de 20 entidades, foi entregue ao governador Jaques Wagner.
A pesquisa foi feita com 800 pessoas de Salvador e Região Metropolitana. Os dados mostram que 49% dos entrevistados acreditam que o horário de Verão pouco influenciaria na rotina. Além disso, 68% das pessoas associaram o maior tempo de claridade à possibilidade de lazer. Outros 57% avaliaram positivamente o alinhamento dos horários bancários e atividades de turismo com as outras regiões.
O horário de verão vai até o dia 26 de fevereiro de 2012.
 Pedido
Ontem, o Sindicato dos Rodoviários enviou carta ao governador Jaques Wagner se posicionando contra a implantação do horário de Verão. Os argumentos foram que os trabalhadores que chegam às 3h no trabalho seriam penalizados e que a insegurança é grande nas ruas de Salvador.

O presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap-BA), Renato Tourinho, rebateu. Ele lembrou que quem acorda às 3h da manhã, ou às 2h se a Bahia entrar no horário de Verão, continuará acordando no escuro.
Ele destaca que uma pesquisa feita em Lauro de Freitas mostrou que os índices de criminalidade são maiores à noite. “O baiano tem que deixar esta discussão pequena de que vai acordar mais cedo. Vamos é gerar mais emprego e produtividade com o horário de Verão”.
Histórico
Quem decide - O horário de Verão é implantado por decreto do presidente da  República, fundamentado em informações do Ministério de Minas e Energia, que toma por base estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Início - A história do horário de Verão começou na década de 30, através de Getúlio Vargas. Nos 35 anos seguintes, a medida vigorou nove vezes: em 1932, de 1949 a 1952, em 1963 e de 1965 a 1967
Sarney - Depois de anos esquecida, a medida voltou em 1985 por decreto de José Sarney e não deixou de ser adotada
Bahia - O estado adotou o horário no governo João Durval em 85. Até 2003, só ficou de fora em 88 e 90
Saída - A Bahia deixou o horário em 2003, na era de Paulo Souto. Ele fez uma pesquisa que revelou que 57% da população era contra o horário.
Fonte: Sdmania.com.br

domingo, 2 de outubro de 2011

Discurso do Papa no encontro com seminaristas em Freiburg



FREIBURG, quarta-feira, 28 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, o discurso improvisado que o Papa Bento XVI dirigiu a cerca de 60 seminaristas na capela do Seminário de Freiburg, durante sua viagem à Alemanha. A versão oficial do discurso foi divulgada hoje pela Santa Sé.
* * *
Queridos seminaristas,
amados irmãos e irmãs!
É com imensa alegria que me encontro aqui com jovens que se encaminham para servir o Senhor, que escutam o seu chamamento e desejam segui-Lo. Quero agradecer de modo particularmente caloroso a linda carta que o Reitor do Seminário e os Seminaristas me escreveram. Sensibilizou-me verdadeiramente o modo como reflectistes sobre a minha carta e, a partir dela, desenvolvestes as vossas perguntas e respostas; sensibilizou-me a seriedade com que acolhestes aquilo que tentei propor e, com base nisso, traçastes o vosso próprio caminho.
O melhor agora seria, por certo, podermos juntos estabelecer um diálogo, mas o horário da viagem – a que estou sujeito e devo obedecer – infelizmente não o permite. Por isso posso apenas procurar sublinhar uma vez mais alguns pensamentos à luz daquilo que escrevestes e do que eu tinha escrito.
 No âmbito da pergunta: «Onde se integra o Seminário? Que significado tem o período nele transcorrido?», fundamentalmente o que mais me impressiona é o modo como São Marcos, no terceiro capítulo do seu Evangelho, descreve a constituição da comunidade dos Apóstolos: «O Senhor fez os Doze». Ele cria algo, faz algo, trata-se de um acto criativo. E fê-los, «para que estivessem com Ele e para os enviar» (cf. Mc 3, 14): vemos aqui uma dupla intenção, que parece, sob certos aspectos, contraditória. «Para que estivessem com Ele»: devem estar com Ele, para chegar a conhecê-Lo, para O escutar, para deixar-se plasmar por Ele; devem andar com Ele, caminhar com Ele, aos pés d’Ele e seguindo os seus passos. Mas, ao mesmo tempo, devem ser enviados que partem, que levam para fora o que aprenderam, levam-no aos outros homens que estão a caminho; partem rumo à periferia, ao ambiente mais amplo, e rumo mesmo até ao que está muito distante d’Ele. E, no entanto, estes aspectos paradoxais andam juntos: se estão verdadeiramente com Ele, então estão sempre a caminho também rumo aos outros, então vão à procura da ovelha perdida. Então saem, devem transmitir aquilo que encontraram; então devem dá-Lo a conhecer, tornar-se enviados. E vice-versa: se quiserem ser verdadeiros enviados, devem estar sempre com Ele. Uma vez São Boaventura disse que os Anjos, para onde quer que vão, por mais longe que seja, movem-se sempre no seio de Deus. O mesmo sucede aqui. Como sacerdotes, devemos sair pelas inúmeras estradas onde se encontram os homens, a fim de os convidar para o banquete nupcial do Filho. Mas só o poderemos fazer, continuando sempre junto d’Ele. Ora, aprender este sair, o ser mandados, e conjuntamente estar com Ele, o permanecer junto d’Ele é precisamente – segundo creio – aquilo que devemos aprender no Seminário: o modo justo de permanecer com Ele, o ficar profundamente enraizados n’Ele – estar sempre mais com Ele, conhecê-Lo cada vez mais, conseguir cada vez mais não separar-se d’Ele – e, ao mesmo tempo, sair cada vez mais, levar a mensagem, transmiti-la, não conservá-la para si, mas levar a Palavra àqueles que estão longe e que todavia, enquanto criaturas de Deus e seres amados por Cristo, trazem no coração o desejo d’Ele.
Portanto o Seminário é um tempo de exercitação; e certamente também de discernimento e de aprendizagem: É para isto que Ele me quer? A vocação deve ser verificada, concorrendo para isto a vida comunitária e, naturalmente, o diálogo com os directores espirituais que tendes, para aprender a discernir qual é a sua vontade. E, depois, aprender a confiança: se verdadeiramente Ele o quer, então posso entregar-me a Ele. No mundo actual, que se transforma de maneira incrível e onde tudo muda continuamente, onde os vínculos humanos se rompem porque dão-se novos encontros, torna-se sempre mais difícil acreditar nisto: eu resistirei por toda a vida. No meu tempo, já não era muito fácil imaginar quantos decénios Deus pensava dar-nos, quanto mudaria o mundo. Perseverarei com Ele como Lhe prometi?... Trata-se de uma pergunta que exige a verificação concreta da vocação e depois – quando já reconheço que sim, que Ele me quer – também a confiança: Se Ele me quer, então também se sustentará; na hora da tentação, na hora do perigo, estará presente e enviar-me-á pessoas, mostrar-me-á estradas, sustentar-me-á. E a fidelidade é possível, porque Ele está sempre presente. É que Ele existe ontem, hoje e amanhã; Ele não pertence apenas a este tempo, mas é futuro e pode sustentar-nos em cada momento.
  Um tempo de discernimento, de aprendizagem, de vocação… E depois, enquanto tempo de estar com Ele, naturalmente tempo de oração, de escuta d’Ele. Ouvir, aprender verdadeiramente a escutá-Lo – na Palavra da Sagrada Escritura, na fé da Igreja, na liturgia da Igreja – e intuir o hoje na sua Palavra. Na exegese, aprendemos muitas coisas sobre o ontem: tudo o que havia então, as fontes que há, as comunidades que existiam, e assim por diante. Também isto é importante. Mas, mais importante é que, neste ontem, percebamos o hoje; que Ele, com estas palavras, fala agora e que todas elas encerram em si o seu hoje e que, para além do seu início histórico, contêm em si uma plenitude que fala a todos os tempos. E é importante aprender esta actualidade do seu falar – aprender a escutar – e assim poder dizê-lo aos outros homens. É verdade que, ao preparar a homilia para o Domingo, este falar – ó Deus! – muitas vezes está tão longe! Mas, se eu vivo com a Palavra, então vejo que de facto não está distante, é actualíssima, está presente agora, tem a ver comigo e diz respeito aos outros. E então aprendo também a explicá-la. Mas para isso é preciso caminhar de modo constante com a Palavra de Deus.
Uma coisa é estar pessoalmente com Cristo, com o Deus vivo; a outra é que temos possibilidade de acreditar sempre e só no «nós». Às vezes, digo que São Paulo escreveu: «A fé vem da escuta», não da leitura. Há necessidade também de ler, mas a fé vem da escuta, isto é, da palavra viva, das palavras que os outros me dirigem a mim e que posso ouvir; das palavras da Igreja através de todos os tempos, da palavra que actualmente me dirige por meio dos sacerdotes, dos bispos e dos irmãos e das irmãs. Faz parte da fé o «tu» do próximo, e faz parte da fé o «nós». E precisamente a exercitação no suportar-se mutuamente é muito importante; aprender a acolher o outro enquanto tal na sua diferença, e aprender que ele também deve suportar-me a mim na minha diferença, para nos tornarmos um «nós», a fim de podermos um dia também na paróquia formar uma comunidade, chamar as pessoas para entrarem na comunhão da Palavra e caminharem juntas para o Deus vivo. Faz parte disto o «nós» muito concreto que é o Seminário, como o será a paróquia, mas sempre também o olhar para mais além do «nós» concreto e limitado, ou seja, para o grande «nós da Igreja de todo o lugar e de todo o tempo, a fim de não fazermos de nós mesmos o critério absoluto. Quando dizemos «nós somos Igreja», dizemos certamente a verdade: somos nós, não uma pessoa qualquer. Mas o «nós» é mais amplo do que o grupo que o está dizendo. O «nós» é a comunidade inteira dos fiéis: os de hoje e os de todos os lugares e de todos os tempos. E não me canso de repetir ainda: é verdade que, na comunidade dos fiéis, existe por assim dizer o juízo da maioria efectiva, mas não pode jamais haver uma maioria contra os Apóstolos e contra os Santos: isso seria uma maioria falsa. Nós somos Igreja. Pois bem, sejamo-lo! Sejamo-lo precisamente no abrirmo-nos ultrapassando-nos a nós mesmos e no estarmos juntos com os outros.
Creio que, atendendo ao horário, deveria talvez concluir. Queria apenas dizer-vos mais uma coisa. A preparação para o sacerdócio, o caminho para ele requer, antes de mais, também o estudo. Não se trata de uma eventualidade académica que se deu na Igreja ocidental, mas é algo de essencial. Todos conhecemos estas palavras de São Pedro: «Estai sempre prontos a dar, em resposta a todo aquele que vo-lo peça, o logos da vossa fé» (cf. 1 Ped 3, 15). Hoje, o nosso mundo é um mundo racionalista e condicionado pelo carácter científico, embora este seja muitas vezes só aparente. Mas este espírito científico de querer compreender, explicar, de poder saber, da rejeição de tudo o que não seja racional é predominante no nosso tempo. Nisto há também algo de grande, apesar de frequentemente se esconder por detrás muita presunção e insensatez. A fé não é um mundo paralelo do sentimento, que possamos permitir-nos como um extra, mas é aquilo que abraça o todo, que lhe dá sentido, interpreta-o e lhe dá também as orientações éticas interiores, para que seja compreendido e vivido apontando para Deus e a partir de Deus. Por isso é importante estar informados, compreender, manter a mente aberta, aprender. Naturalmente, daqui a vinte anos, estarão na moda teorias filosóficas totalmente diversas das de hoje: quando penso como aquilo que era, entre nós, a moda filosófica mais alta e mais moderna, hoje já esteja completamente esquecido! Contudo não é inútil aprender estas coisas, porque há nelas também elementos duradouros. E sobretudo com isso aprendemos a julgar, a seguir mentalmente um pensamento – e a fazê-lo de modo crítico – e aprendemos a fazer com que, ao pensar, a luz de Deus nos ilumine e não se apague. Estudar é essencial: só assim poderemos enfrentar o nosso tempo e anunciar-lhe o logos da nossa fé. Estudar de modo crítico também – na certeza precisamente de que amanhã qualquer outro dirá algo de diverso –, mas ser estudantes atentos, abertos e humildes para estudar sempre com o Senhor, na presença do Senhor e para Ele.
Poderia, é verdade, dizer ainda muitas coisas e deveria talvez fazê-lo… Mas agradeço por me terdes escutado. E, na oração, tenho presente no meu coração todos os seminaristas do mundo – não tão bem, com os respectivos nomes, como os recebi aqui, mas encaminho-os interiormente para o Senhor: Que Ele a todos abençoe, a todos ilumine e indique a estrada justa e nos dê muitos e bons sacerdotes. De coração, muito obrigado!

LECTIO DIVINA, Domingo, 02 de outubro de 2011, 27º Domingo do Tempo Comum – Ciclo A.

TEXTO BÍBLICO: Mateus 21.33-46


1. LEITURA - Que diz o texto?Pistas para leitura

Olá, Lectionautas!
Desta feita, a liturgia, retomando o Evangelho de Mateus, volta a apresentar-nos o tema da vinha, sendo que com mais força do que das vezes anteriores. Recordemos, em primeiro lugar, que Jesus está respondendo aos sumos sacerdotes que o haviam questionado acerca de sua própria autoridade.
O dono da vinha cede-a em locação a outras pessoas para que dela cuidem e nela trabalhem. A vinha, porém, não pertence a estas pessoas: estas apenas nela trabalham e devem pagar por isso. O dono, porém, é outro, e partiu em viagem.
“Quando chegou o tempo da colheita, o dono mandou alguns empregados a fim de receber a parte dele. Mas os lavradores agarraram os empregados, bateram num, assassinaram outro e mataram ainda outro a pedradas”.
Assim diz o texto: aqueles que alugaram a vinha não aceitaram que os verdadeiros servos viessem buscar a colheita. E os maltrataram.
“Aí o dono mandou mais empregados do que da primeira vez. E os lavradores fizeram a mesma coisa. Depois de tudo isso, ele mandou o seu próprio filho, pensando: “O meu filho eles vão respeitar.” Mas, quando os lavradores viram o filho, disseram uns aos outros: “Este é o filho do dono; ele vai herdar a plantação. Vamos matá-lo, e a plantação será nossa.”
— Então agarraram o filho, e o jogaram para fora da plantação, e o mataram.”
Quando Mateus fala de “seu filho”, está repetindo as mesmas palavras que o Pai pronunciou no Batismo de Jesus (Mt 3,17) e, a seguir, na Transfiguração de Jesus (Mt 17,5), onde o Pai sempre diz “escutem-no”, “obedeçam-lhe”.
Aqui se revela algo mais. Jesus está narrando uma história que, na realidade, é a história do Povo de Israel. Os primeiros servos que chegaram são os profetas que não foram ouvidos, sendo que alguns foram até perseguidos e assassinados. É uma advertência aos sumos sacerdotes que, conhecendo esta história, dão-se conta de que seus ancestrais é que maltrataram os profetas de Deus. Agora, no entanto, Jesus está-lhes dizendo claramente que “o dono da vinha”, ou seja, Deus enviou seu próprio filho pensando que o respeitariam. Todavia, os que alugaram a vinha, concluíram que este filho seria o herdeiro de tudo, e por isso, expulsaram-no da vinha e o mataram. Deste modo, Jesus acenava a que seriam os mesmos sumos sacerdotes que o enviariam à morte, levando-o para fora da cidade de Jerusalém. Jesus sabia da violência dos dirigentes do povo e via aproximar-se sua morte. E os acusa antecipadamente. Eles seriam os responsáveis por sua morte; são, portanto, assassinos. Jesus está oferecendo uma sociedade mais justa, fraterna, igualitária, e não com falsidades. Isto foi de encontro aos interesses do sistema no qual vivia.
A história diz-nos que os líderes de Israel não cultivaram bem a vinha, preparando-a para o Messias: apropriaram-se do povo e agora decidem matar Jesus porque Ele lhes está tirando o controle das pessoas humildes.
Logo depois de narrar-lhes esta história, Jesus pergunta aos sumos sacerdotes:
“E agora, quando o dono da plantação voltar, o que é que ele vai fazer com aqueles lavradores?
Eles responderam:
— Com certeza ele vai matar aqueles lavradores maus e vai arrendar a plantação a outros. E estes lhe darão a parte da colheita no tempo certo”.
Deste modo, eles mesmos é que dão a resposta do que irá acontecer. Jesus está acusando-os de não aceitar a mensagem de Deus, nem antes, com os profetas, nem agora, com Ele mesmo. E explica-lhes que, se não o aceitarem, neles se tornará realidade a referência do Salmo 118.22, que fala da pedra rejeitada pelos arquitetos do templo, transformada agora em pedra angular. (A pedra que é colocada no ângulo de um arco é a pedra que sustenta todo o arco com suas colunas). E, acima de tudo, Jesus acrescenta:
“— Eu afirmo a vocês que o Reino de Deus será tirado de vocês e será dado para as pessoas que produzem os frutos do Reino. Quem cair em cima dessa pedra ficará em pedaços. E, se a pedra cair sobre alguém, essa pessoa vai virar pó.”
O anúncio é claro: o Reino será dado aos que lhe obedecem em tudo! Aos que não obedecem, o peso da pedra (isto é, Jesus) cairá sobre eles.
Para levar em consideração: A Vinha é o Reino de Deus. É preciso entender esta parábola em todo o seu contexto.
Outros textos bíblicos a serem comparados: Isaías 5.1-7; Salmo 118.22
Para continuar o aprofundamento destes temas, pode-se consultar A Bíblia de Estudo NTLH, o verbete: Vinho
Perguntas para a leitura
  • Que fez o dono do terreno? O que plantou?
  • A quem contratou para cuidar de sua plantação?
  • O que aconteceu quando chegou a colheita? Quem enviou o dono do terreno?
  • O que fizeram com os enviados que haviam alugado o vinhedo?
  • Quem foi enviado, em seguida, pelo dono da vinha?
  • O que voltaram a fazer os locatários do terreno?
  • Por que o dono da vinha decide enviar seu próprio filho?
  • O que disseram os arrendatários da vinha quando viram o filho?
  • Que texto Jesus recorda aos que o escutavam?
  • O que acontecerá com os que não obedecem?

2 – MEDITAÇÃO

O que me diz? O que nos diz?
Perguntas para a meditação
  • Tanto a Igreja primitiva como a atual sabem que sua existência e sua razão de ser estão ligadas à fidelidade de continuar a missão de Jesus: tornar presente a novidade absoluta do reinado de Deus, reino de justiça, de paz e de amor.
  • Perante este texto tão importante, devo perguntar-me:
  • O Senhor confiou-me parte de sua vinha: estou consciente disto?
  • Quantas vezes deixo de escutar o Senhor por meio de seus enviados?
  • Posso ser um bom operário da vinha do Senhor, ou posso ser um assassino que quer ficar com tudo: estou consciente de que somente existem duas possibilidades?
  • O que significa “obedecer em tudo”, para poder ter acesso ao Reino de Deus?
  • De que forma rechaço as propostas de Deus?
  • Em síntese: o que me diz, hoje, esta parábola de Jesus?

3 – ORAÇÃO

O que lhe digo? O que lhe dizemos?
A oração é a resposta que damos a Deus que se nos manifesta por primeiro.
Comecemos esta parte fazendo nossa a bela canção que está o Livro de Isaías, capítulo 5,1-7:
Terminemos nossa oração pedindo ao Senhor a graça de saber diferenciar o caminho da salvação do caminho da perdição, e a força para escolher o melhor caminho.

4 – CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem?
Esta parábola é tão importante que deveríamos colocar-nos nas mãos de Jesus e pedir-lhe que volte a contá-la para nós. Que seja Jesus mesmo a recordar-nos, hoje, como esta parábola pode aplicar-se a nós.
Façamos um momento de silêncio, tentando escutar o que Jesus quer dizer-nos hoje.
Poderíamos repetir várias vezes esta frase:
Senhor, quero pertencer a teu Reino.
Senhor, quero obedecer-te em tudo.
Senhor, mostra-me com clareza como obedecer-te sempre mais.

5 – AÇÃO

A que me comprometo? A que nos comprometemos?
Propostas pessoais
  • Fazer um bom exame de consciência, para descobrir as vezes em que, mesmo sendo cristão, “faço trapaças” e não obedeço ao Senhor. Pedir-lhe perdão por todas as vezes que não sou operário fiel de sua vinha.
Propostas comunitárias
  • Se estivermos em grupo, podemos fazer um propósito para esta semana e demonstrar à comunidade que estamos, sim, entendendo esta parábola, e realizar comunitariamente alguma obra de misericórdia.

Outubro, mês das missões


Não se abre uma rosa apertando-se o botão”, escreveu alguém.  É um pensamento muito próprio para uma reflexão sobre a vocação missionária do cristão para o mês que se avizinha: o mês de outubro, dedicado às missões. Jesus disse ao enviar os apóstolos para anunciar o ano da graça: “Eis que vos enviou como carneiros em meio a lobos vorazes” (Cf. Mt. 10,16). E, quando, mal recebidos em uma cidade, João e Tiago pretendiam mandar o fogo dos céus sobre aquele povo, mas Jesus os repreendeu “Não sabeis de que espírito sois. (Cf. Lc. 9,55).

A primeira atitude do missionário deve ser a mansidão. O anúncio da Boa Nova é um anúncio de paz. O texto do profeta Isaias lido por Jesus na sinagoga de Nazaré (Cf. Lc. 4,16-22)) e a si próprio aplicado, diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, eis porque me ungiu e mandou-me evangelizar os pobres, sarar os de coração contrito, anunciar o ano da graça”(Cf. Is. 61, 1-4)

E, logo a seguir, no Sermão da Montanha, revirando todos os princípios e conceitos que o pecado instilara nos corações dos homens, da sociedade e da cultura, declara bem aventurados os mansos, os misericordiosos e os que promovem a paz(Cf. Mt. 5)

A violência e a agressividade afastam os corações. Não é a toa que Santa Terezinha foi declarada padroeira das missões, ela que jamais transpôs as grades de seu convento e, partindo deste mundo aos vinte quatro anos, podia prometer que dos céus enviaria uma chuva de rosas sobre a terra. São Francisco de Sales, igualmente ensinava que se apanham mais moscas com uma gota de mel do que com um barril de vinagre.

Quanta paciência e compreensão mostraram os santos missionários de todos os tempos na inculturação da fé em corações duros e arraigados numa cultura pagã totalmente diversa dos caminhos cristãos. Davam tempo ao tempo, como o semeador aguarda com paciência o tempo da colheita.

Ainda no Evangelho lido na liturgia de dias atrás, diante da crítica dos fariseus, Jesus amorosamente acolhe a pecadora pública e lhe perdoa os pecados, e não reprime com exasperação o pecado dos “puros de todos os tempos”, mas os leva à conversão chamando-os ao amor.(Cf. Lc. 7, 36-50)  Assim também em outro episódio, uma ceia junto a publicanos e pecadores, o Mestre disse aos que o criticavam: “Não são os que tem saúde  que precisam de médico, mas os doentes. Ide aprendei o que significa: prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Cf. Mt.9, 10-14).

O plano salvífico de Deus não é imposto. Como na criação Deus respeitou a vontade do homem que optou pelo pecado, assim também o respeita na opção que ele faz diante da oferta da salvação. “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”, diz Santo Agostinho.

O cristão que tem, pelo batismo, a vocação missionária, a missão de anunciar a Boa Nova, tem de ter, ele próprio, um coração semelhante ao de Cristo, manso e humilde, como pedimos na jaculatória, “fazei nosso coração semelhante ao vosso”.

Paulo VI, na Evangelii nuntiandi exorta: “A obra da evangelização pressupõe um amor fraterno, sempre crescente, para com aqueles a quem ele (o missionário) evangeliza.” (nº 79) e cita São Paulo aos Tessalonicenses (2Tes. 8) como programa.

Refere-se ainda, exemplificativamente, a outros sinais de afeição que o missionário tem de ter em relação ao evangelizando: o respeito pela situação religiosa e espiritual das pessoas a quem se evangeliza; a preocupação de se não ferir o outro sobretudo  se ele é débil em sua fé e um esforço para não transmitir dúvidas ou incertezas  nascidas de uma erudição não assimiladas.

O missionário, ao levar a Boa Nova a um mundo angustiado e sem esperança ou cuja esperança se esgota com o último suspiro, não pode se apresentar triste e descorçoado, impaciente ou ansioso, mas deve manifestar uma vida irradiante de fervor e da alegria de Cristo.

Nesse espírito o missionário, sem tergiversar sobre sua fé e sobre a mensagem, abra sua voz para “propor aos homens a verdade evangélica e a salvação em Cristo,com absoluta clareza e com todo o respeito pela opções livres que a consciência dos ouvintes fará” (E.N 80). Lembre-se “não se abre uma rosa apertando-se o botão”.
Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.