quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Vocação: chamado de Deus


Vocação significa chamado: Alguém chama e alguém é chamado. Há uma ligação íntima entre aquele que vocaciona e aquele que é vocacionado ou chamado. Quem vocaciona dá a vocação e alimenta a chama do vocacionado.
A vocação, sem a qual nenhuma outra nos enriqueceria, é o chamado a existir, à vida. A vida humana, segundo a Palavra revelada, é dom sagrado, precioso e sublime do amor de Deus. Eis o que afirma a Bíblia: Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. (Gen 1)
A Bíblia ratifica a Vocação à vida humana como Dom de Deus a cada pessoa e diz categoricamente que “o Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gen 2,7).
A imagem bíblica deixa clara a procedência da vida humana, matéria trabalhada pelas mãos do criador e pelo sopro vivificante do Espírito de Deus moldando à criatura humana em uma unidade perfeita, distinta e diferente Dele, mas criada à sua imagem e semelhança.
Somos chamados à vida, ou seja, a sua, a minha, as nossas vidas são dons de Deus, nós apenas as recebemos da gratuidade de seu amor. Mas… vida dada, vida recebida, o que fazer com a vida? Só temos uma vida e precisamos usá-la bem.
É necessário canalizá-la, a partir da nossa liberdade, iluminada pela fé e em diálogo com a Igreja, para objetivos que discernimos como “a vontade de Deus para nós” .Vocação é um desígnio pessoal do amor de Deus para cada pessoa. Quando Deus nos chamou à vida, no seu coração de Pai, Ele já guardava desde toda a Eternidade um estado de vida, uma graça para enriquecer a pessoa e enviá-la à missão.
Vocação e missão se encontram estreitamente ligados. Por isso, o que importa é discernir a vontade de Deus e abraçá-la. Se esta for o casamento, vamos assumí-la, se for o sacerdócio ou a vida religiosa ou mesmo consagrados como casados, assumamos a postura de Maria: “Faça-se em mim segundo a vossa Palavra”( Lc 1, 38 ).
Na grande vocação cristã há um chamado de Deus dirigido a todos: “sede santos porque eu sou Santo”. No Novo Testamento está escrito “a vontade de Deus é a vossa santificação”. Religiosos, padres e leigos vocacionados, são chamados antes de tudo à santidade.
Jesus nos ilumina para discernir a vontade de Deus, propondo o caminho do amor: “A quem me ama eu me manifestarei”. A vocação à santidade é para todos, ninguém está excluído. No céu entra quem, aceitando o chamado de Deus, se deixa conduzir pelo Espírito Santo e se assemelha, no coração e na prática da vida, a Jesus, aqui na terra.
Mas, vocação, no caminho da Igreja, é chamado de Deus, graça que enriquece o batizado e o convida para uma consagração e uma missão. O primado do ser sobre o ter é o reconhecimento do sentido da vida como o chamado do amor gratuito de Deus, como dom livre e responsável de si mesmo aos outros em Cristo e na atitude evangélica de serviço de Maria. Não fostes vós que me escolhestes mas eu que vos escolhi” (Jo 15,16).
Vocacionados ao sacerdócio, à vida religiosa sob os mais diversos carismas são sempre pessoas amadas pessoalmente por Deus e candidatos à consagração. Ainda hoje Deus continua chamando. Qual sua resposta a Jesus que te chama?

Dom José Palmeira Lessa
Arc. Metropolitano de Aracaju – SE

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Pronunciamento de Dom Josafá na Abertura da Exposição Vida de Dom Ricardo


Autoridades presentes, caríssimos padres, diáconos, religiosas, seminaristas, lideranças das diversas organizações desta cidade e dos municípios vizinhos, senhoras e senhores.
É com grande satisfação que apresentamos nesta noite, na Casa da Cultura, a Exposição “Trajetória de Dom Ricardo”. Amanhã, às 8h30, no Palácio das Artes, na Praça Castro Alves, teremos a alegria descerrar a fita e os visitantes poderão ter diante dos olhos a exposição propriamente dita.
No dia 26 de fevereiro, quando assumi o governo pastoral da Diocese de Barreiras, disse da minha intenção de perpetuar a memória de Dom Ricardo e manter vivo o seu forte legado de pastor dedicado à promoção e à defesa da pessoa humana, especialmente dos mais pobres, dentro do imenso território da Diocese de Barreiras.
Nos meses de março e abril, procuramos diversas vezes o Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal da Bahia, através de seu Curso de Licenciatura em História, para estudarmos as possibilidades de celebrar uma parceria em torno de projetos de investigação histórica sobre a vida e atuação de Dom Ricardo na Diocese de Barreiras.
Zelar pela memória e estimular a produção historiográfica sobre Barreiras e a região oeste da Bahia estão entre os principais objetivos do Curso de História do Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável – ICADS/UFBA.
Como a concretização da parceria e a organização das atividades de longo prazo demandam exigências burocráticas e prazos institucionais, com a supervisão do Curso de História, nós fizemos um plano inicial de trabalho com a professora de História, Alessandra Amaral Andrade e dois estudantes, da UFBA, Mirley Santana de Souza e João Pedro Pereira Rocha.


Se os registros paroquiais, com as anotações dos sacramentos, permitem a reconstrução da história de santificação do povo cristão, as fontes conservadas nos arquivos da Cúria consentem e favorecem a transmissão da história da ação pastoral dos bispos nas suas dioceses (Cf. Carta aos Bispos Diocesanos, de Francesco Marchisano, Presidente da Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja, Funzione pastorale degli archivi ecclesiastici, Vaticano, 2.2.1997). Então, permitimos, com os devidos cuidados, a consulta de alguns livros, escritos e jornais do acervo da Diocese de Barreiras para produção de um material biográfico sobre Dom Ricardo a ser divulgado no seu primeiro aniversário de falecimento, 17 de agosto de 2011.
Então, em continuidade com as missas e as comemorações no Mosteiro de Kremsmünster – Áustria e as que cada paróquia da diocese realizou no dia 17 de agosto e no aniversário de nascimento, 5 de setembro, nós deveríamos ter um primeiro olhar sobre a trajetória de Dom Ricardo na Diocese de Barreiras. 
Isso não foi possível. A pesquisa documental, prevista para maio, junho e julho, se estendeu ainda pelos primeiros quinze dias do mês de agosto. A segunda metade de agosto e o mês de setembro ficaram para a professora a elaboração da cronologia, discussão o texto e organização a exposição. A Professora Alessandra, os jovens estudantes, o Padre José Grigório, Padre Eraldo, Neuraci, Ir. Cida, Amanda, Nilza, o seminarista Daniel e ainda outras pessoas se desvelaram nos últimos meses para que chegássemos esses momentos tão importantes para a nossa história diocesana.
Para mim é de suma importância o conhecimento aprofundado do pastoreio de Dom Ricardo.
Nesses sete meses de ministério pastoral, eu percorri as sedes paroquiais, encontrei os mais diversos agentes, celebrei as festas dos padroeiros, visitei as mais diversas obras e instituições que compõem a diocese de Barreiras. Vi que estão condicionadas por uma realidade sócio-econômico-cultural difícil do Oeste Baiano, mas percebo que estão, indelevelmente, marcadas pelas opções pastorais assumidas por Dom Ricardo nos seus 36 anos de ministério.
Nos arquivos, nos escritos e documentos estão expressas opções inteligentes, decisões ponderadas, conselhos sempre sábios, indicações pastorais pertinentes e um testemunho de vida cristã autêntica. Em todos os momentos e lugares vemos um pastor que ama o povo de Barreiras com o coração de Cristo Redentor. 
Para dar novos passos e abrir horizontes futuros, como disse na minha celebração inicial, devo partir das Sagradas Escrituras, da Tradição, do Magistério dos Papas, dos Bispos da AL e do Brasil, mais concretamente, da sabedoria do meu antecessor; que aprendi admirar ainda mais com os padres, com os diáconos, as autoridades dos diversos municípios, as lideranças das diversas comunidades, pastorais e serviços e com todo o povo de Deus da diocese de Barreiras.
Como disseram os antigos, nós poderemos nos sentir “gigantes”, embora anãos, se olharmos o futuro de cima dos ombros das gerações que nos precederam na exuberância da única fé. As fontes históricas nos unem a Jesus Cristo, aos escritos da primeira comunidade dos apóstolos, a todas as comunidades eclesiais, chegando inclusive aos documentos que narram o processo de evangelização mais atual de cada Igreja. A pesquisa nos une de maneira direta à fundação da Igreja de Barreiras, através de seu primeiro bispo.


Essa exposição traz um pouco de Dom Ricardo e um pouco de Dom Ricardo é luz para Barreiras e para os grandes desafios de sua região.
Como dissemos no início, a exposição é um projeto inicial. Não termina nela o interesse pela memória de Dom Ricardo. A parceria com a Universidade, o apoio de outras instituições e o zelo de toda a Diocese de Barreiras nos permitirão de ampliar a cronologia, publicar um livro histórico-biográfico sobre Dom Ricardo, organizar o Memorial, construir a Igreja de São Bento e dar continuidade ao seu fecundo ministério.


Barreiras-Ba, 03 de Outubro de 2011
Dom Josafá Menezes da Silva
Bispo da Diocese de Barreiras

Trajetória de Dom Ricardo na Diocese de Barreiras

 








Foi realizada no dia 03 de outubro de 2011 às 19h30min na Casa da Cultura em Barreiras a apresentação da Trajetória de Dom Ricardo na Diocese de Barreiras.

A mediação do evento foi realizada pela professora Divina que nos apresentou alguns aspectos da história de Dom Ricardo: sua chegada, missão, desafios, característica geográfica do território da Diocese etc.

Em seguida Dom Josafá foi convidado para fazer a abertura do evento. Cumprimentou a todos desejando boas vindas e expressou sua alegria em proporcionar ao povo da Diocese, esse momento, para fazer memória da trajetória do primeiro Bispo, disse: “preparar o memorial de Dom Ricardo é continuar o seu legado, apreciar o trabalho da professora de História, Alessandra com a colaboração dos alunos João Paulo e Mirley, é falar de memória é favorecer o exercício do ‘curso de história’. É de suma importância aprofundar no pastoreio de Dom Ricardo, um pastor que amou a Diocese de Barreiras com o coração de Cristo Redentor dos Homens. A exposição que será inaugurada amanhã, fruto do trabalho de pesquisa dos historiadores, tem um pouco de Dom Ricardo, embora não termina nela... queremos ampliar: publicar um livro, construir o Memorial Dom Ricardo e a Igreja de São Bento. Bem vindos a esse tempo de fazer memória de Dom Ricardo”.

Ao longo desse ato cultural, tivemos o testemunho do Coordenador da Pastoral da Juventude Weslei, que elencou a grande preocupação de Dom Ricardo pela juventude; tivemos também a animação do ministério de música do Santuário Perpétuo Socorro e uma apresentação coreográfica dos jovens da Paróquia Santa Rafaela Maria.

Outro momento muito esperado foi à apresentação da Pesquisa dos historiadores sobre a Trajetória de Dom Ricardo na Diocese de Barreiras. No decorrer da apresentação foram projetadas fotos que ilustram cada década da missão de Dom Ricardo. A professora Alessandra concluiu: “espero que a apresentação da exposição possa ajudar a compreender o sentido do trabalho de Dom Ricardo que é a promoção da cidadania”.

Um vídeo com depoimento de Dom Ricardo na Assembleia do povo de Deus, em comemoração aos 30 anos da Diocese de Barreiras, emocionou aos presentes. No vídeo Dom Ricardo ressalta: “a unidade é essencial na Igreja. A Igreja não exclui ninguém, todos são da Igreja, você batizado é Igreja... Precisamos ter coragem de falar da Igreja, de falar de Jesus Cristo. Vocês católicos tem que ser firme, não podem ser frocho. Precisamos viver nossa fé Católica com mais coragem, anunciar o Evangelho do amor de Deus... tenha cuidado com o Domingo, dia do Senhor. Vocês devem ter cuidado com a liturgia do Domingo. Só podemos viver se vivermos em comunhão com o Senhor... eu vi nesses anos muitas coisas bonitas... só temos sentido com Cristo o Redentor dos Homens”.

Para encerrar o ato cultural Dom Josafá concluiu: “... fico feliz em trazer a vocês um pouco de Dom Ricardo, agradeço a todos por esse trabalho... é apenas o começo... Abençoe o Deus Todo Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, Amém. Boa Noite a todos”.

Por, Daniel Luiz,
Com os olhos fixos no Crucificado-Ressuscitado.

Exposição do Memorial Dom Ricardo


 



No dia 04 de Outubro de 2011 às 08h30min no Palácio das Artes, Dom Josafá Menezes da Silva inaugurou a Exposição do Memorial Dom Ricardo. Estiveram presentes padres da diocese, diversas religiosas, juventude, lideranças das comunidades e autoridades civis.
            Em seu discurso de abertura Dom Josafá nos lembrou que o Memorial foi fruto do trabalho dos historiadores apresentado na noite anterior na Casa da Cultura, por isso, é um prolongamento daquela noite. Também o Bispo nos recordou do primeiro discurso de Dom Ricardo ao povo de Barreiras: “não tenha muita perspectiva de mim... quero apenas vos mostrar o rosto de Jesus Cristo o Redentor dos homens”.
            Em seguida Dom Josafá aspergiu os visitantes com água benta e junto com a prefeita de Barreiras, Jusmari descerrou a faixa, dando inicio a visitação ao memorial.
            Ao longo do dia muitas pessoas passaram pela Exposição, muitos visitantes ficaram emocionados ao verem objetos de uso pessoal de Dom Ricardo, como também reverem por meios de fotos, vídeos e escritos fatos que marcaram o pastoreio do primeiro Bispo da Diocese de Barreiras.
            A Exposição do memorial Dom Ricardo fica aberto ao público até a sexta-feira das 08:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:00.

Por, Daniel Luiz,
De olhos fixos no Crucificado-Ressuscitado.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Uma vocacionada chamada Maria.


Quando se ama de verdade, quando se tem fé infinita, quando se confia plenamente em alguém, quando se vive a ausência do egoísmo em seu ser, significa que se tem algo mais fascinante e valoroso a impulsionar o coração humano em saborear com mais alegria sua existência neste mundo. É algo que toca e contempla profundamente o ser, num ato total de abandono em Deus.
De tais atitudes se tem uma conseqüência: entregar a vida em prol da felicidade, da paz e da justiça para todos. Em Maria fez tudo isto e muito mais, pois teu testemunho de vida avança pelos horizontes dos corações de todos os homens e mulheres, sendo um exemplo vivo e fraternal da presença misericordiosa de Deus.
Maria, ao dizer sim, carinhosamente colocou-se disponível ao plano de Deus, acolhendo este chamado e louvando a Deus pela escolha, sempre em espírito de humildade, gratidão e fé. Maria, disse um sim decidido e confiante, ciente do compromisso para com o Senhor e do seu plano de redenção. Creio que a vocacionada chamada Maria, Senhora nossa e de todas as vocações, sugere que sejamos neste mundo, imitadores de seu gesto, estando livres para servir e conscientes de nossa importância na vida do outro. Hoje ela nos diz que cada um é importante: seja para sua família e amigos, seja para a comunidade e nos trabalhos pastorais que nela desenvolve. Assim, é preciso acreditar, com aquela certeza inabalável de Maria, tanto na Providência Divina, quanto na possibilidade real da felicidade em cada coração humano, apesar dos obstáculos que por ventura devamos transpor. Também devemos acreditar em nós mesmos e nos dons que Deus ofertou ao nosso viver, como fielmente o fez esta humilde serva do Senhor, mãe dos apóstolos e Rainha da paz.
Através de Maria nos foi concedido Aquele que nos libertou do pecado, da escuridão e da falta de esperança. Assim, em espírito de oração, esperança e reconhecimento, ousamos dizer: Maria, mãe do silêncio e senhora de si mesma, viemos a ti, face a face, para que sejamos revestidos da graça infinita de nosso Deus e possamos ser em nosso caminhar um reflexo de sua generosidade, assumindo com coragem e dedicação a missão que teu filho Jesus nos confia nesta vida, certos de que jamais caminharemos sozinhos, tendo sempre a tua proteção. Obrigado mãe, de teu sim a Deus aprendemos que podemos servir em prol da vida, da justiça e do amor, para a glória de teu filho Jesus. Maria, fortaleza inabalável de nossos passos, mãe das vocações e do ressuscitado, rogai por nós!

Colaboração: Eudes Lemos -  eudesvoc@bol.com.br


Governador confirma horário de verão na Bahia.


Antes de cair no sono no próximo sábado (15), os baianos terão que adiantar os relógios em uma hora. Assim como as regiões Sul, Sudoeste e no Centro-oeste do Brasil, a Bahia retorna para o horário de verão após decisão do governo. A adesão foi tomada depois do resultado de um levantamento solicitado pelo governador Jaques Wagner, sobre o nascer do sol no período do chamado ‘horário de verão’.

“Peço desculpas para quem discorda da decisão, mas ela foi tomada depois de muita consulta e muita consciência”, disse Wagner em entrevista ao programa Balanço Geral da TV Itapoan.

Agora, a Bahia é o único estado do Nordete a seguir o horário da capital Brasília, depois de 8 anos. “Não é um sacrifício tão violento esses 35 minutos de diferença. Perde meia hora quando acorda, mas ganha meia hora no final do dia”, justifica o governador sobre a luminosidade do dia.

Empresários do estado já
haviam manifestado o desejo de que o horário de verão voltasse ao estado e chegaram a divulgar uma pesquisa apontando os benefícios que tal medida traria para a economia e a rotina dos baianos. O documento, organizado por representantes de 20 entidades, foi entregue ao governador Jaques Wagner.
A pesquisa foi feita com 800 pessoas de Salvador e Região Metropolitana. Os dados mostram que 49% dos entrevistados acreditam que o horário de Verão pouco influenciaria na rotina. Além disso, 68% das pessoas associaram o maior tempo de claridade à possibilidade de lazer. Outros 57% avaliaram positivamente o alinhamento dos horários bancários e atividades de turismo com as outras regiões.
O horário de verão vai até o dia 26 de fevereiro de 2012.
 Pedido
Ontem, o Sindicato dos Rodoviários enviou carta ao governador Jaques Wagner se posicionando contra a implantação do horário de Verão. Os argumentos foram que os trabalhadores que chegam às 3h no trabalho seriam penalizados e que a insegurança é grande nas ruas de Salvador.

O presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap-BA), Renato Tourinho, rebateu. Ele lembrou que quem acorda às 3h da manhã, ou às 2h se a Bahia entrar no horário de Verão, continuará acordando no escuro.
Ele destaca que uma pesquisa feita em Lauro de Freitas mostrou que os índices de criminalidade são maiores à noite. “O baiano tem que deixar esta discussão pequena de que vai acordar mais cedo. Vamos é gerar mais emprego e produtividade com o horário de Verão”.
Histórico
Quem decide - O horário de Verão é implantado por decreto do presidente da  República, fundamentado em informações do Ministério de Minas e Energia, que toma por base estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Início - A história do horário de Verão começou na década de 30, através de Getúlio Vargas. Nos 35 anos seguintes, a medida vigorou nove vezes: em 1932, de 1949 a 1952, em 1963 e de 1965 a 1967
Sarney - Depois de anos esquecida, a medida voltou em 1985 por decreto de José Sarney e não deixou de ser adotada
Bahia - O estado adotou o horário no governo João Durval em 85. Até 2003, só ficou de fora em 88 e 90
Saída - A Bahia deixou o horário em 2003, na era de Paulo Souto. Ele fez uma pesquisa que revelou que 57% da população era contra o horário.
Fonte: Sdmania.com.br

domingo, 2 de outubro de 2011

Discurso do Papa no encontro com seminaristas em Freiburg



FREIBURG, quarta-feira, 28 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, o discurso improvisado que o Papa Bento XVI dirigiu a cerca de 60 seminaristas na capela do Seminário de Freiburg, durante sua viagem à Alemanha. A versão oficial do discurso foi divulgada hoje pela Santa Sé.
* * *
Queridos seminaristas,
amados irmãos e irmãs!
É com imensa alegria que me encontro aqui com jovens que se encaminham para servir o Senhor, que escutam o seu chamamento e desejam segui-Lo. Quero agradecer de modo particularmente caloroso a linda carta que o Reitor do Seminário e os Seminaristas me escreveram. Sensibilizou-me verdadeiramente o modo como reflectistes sobre a minha carta e, a partir dela, desenvolvestes as vossas perguntas e respostas; sensibilizou-me a seriedade com que acolhestes aquilo que tentei propor e, com base nisso, traçastes o vosso próprio caminho.
O melhor agora seria, por certo, podermos juntos estabelecer um diálogo, mas o horário da viagem – a que estou sujeito e devo obedecer – infelizmente não o permite. Por isso posso apenas procurar sublinhar uma vez mais alguns pensamentos à luz daquilo que escrevestes e do que eu tinha escrito.
 No âmbito da pergunta: «Onde se integra o Seminário? Que significado tem o período nele transcorrido?», fundamentalmente o que mais me impressiona é o modo como São Marcos, no terceiro capítulo do seu Evangelho, descreve a constituição da comunidade dos Apóstolos: «O Senhor fez os Doze». Ele cria algo, faz algo, trata-se de um acto criativo. E fê-los, «para que estivessem com Ele e para os enviar» (cf. Mc 3, 14): vemos aqui uma dupla intenção, que parece, sob certos aspectos, contraditória. «Para que estivessem com Ele»: devem estar com Ele, para chegar a conhecê-Lo, para O escutar, para deixar-se plasmar por Ele; devem andar com Ele, caminhar com Ele, aos pés d’Ele e seguindo os seus passos. Mas, ao mesmo tempo, devem ser enviados que partem, que levam para fora o que aprenderam, levam-no aos outros homens que estão a caminho; partem rumo à periferia, ao ambiente mais amplo, e rumo mesmo até ao que está muito distante d’Ele. E, no entanto, estes aspectos paradoxais andam juntos: se estão verdadeiramente com Ele, então estão sempre a caminho também rumo aos outros, então vão à procura da ovelha perdida. Então saem, devem transmitir aquilo que encontraram; então devem dá-Lo a conhecer, tornar-se enviados. E vice-versa: se quiserem ser verdadeiros enviados, devem estar sempre com Ele. Uma vez São Boaventura disse que os Anjos, para onde quer que vão, por mais longe que seja, movem-se sempre no seio de Deus. O mesmo sucede aqui. Como sacerdotes, devemos sair pelas inúmeras estradas onde se encontram os homens, a fim de os convidar para o banquete nupcial do Filho. Mas só o poderemos fazer, continuando sempre junto d’Ele. Ora, aprender este sair, o ser mandados, e conjuntamente estar com Ele, o permanecer junto d’Ele é precisamente – segundo creio – aquilo que devemos aprender no Seminário: o modo justo de permanecer com Ele, o ficar profundamente enraizados n’Ele – estar sempre mais com Ele, conhecê-Lo cada vez mais, conseguir cada vez mais não separar-se d’Ele – e, ao mesmo tempo, sair cada vez mais, levar a mensagem, transmiti-la, não conservá-la para si, mas levar a Palavra àqueles que estão longe e que todavia, enquanto criaturas de Deus e seres amados por Cristo, trazem no coração o desejo d’Ele.
Portanto o Seminário é um tempo de exercitação; e certamente também de discernimento e de aprendizagem: É para isto que Ele me quer? A vocação deve ser verificada, concorrendo para isto a vida comunitária e, naturalmente, o diálogo com os directores espirituais que tendes, para aprender a discernir qual é a sua vontade. E, depois, aprender a confiança: se verdadeiramente Ele o quer, então posso entregar-me a Ele. No mundo actual, que se transforma de maneira incrível e onde tudo muda continuamente, onde os vínculos humanos se rompem porque dão-se novos encontros, torna-se sempre mais difícil acreditar nisto: eu resistirei por toda a vida. No meu tempo, já não era muito fácil imaginar quantos decénios Deus pensava dar-nos, quanto mudaria o mundo. Perseverarei com Ele como Lhe prometi?... Trata-se de uma pergunta que exige a verificação concreta da vocação e depois – quando já reconheço que sim, que Ele me quer – também a confiança: Se Ele me quer, então também se sustentará; na hora da tentação, na hora do perigo, estará presente e enviar-me-á pessoas, mostrar-me-á estradas, sustentar-me-á. E a fidelidade é possível, porque Ele está sempre presente. É que Ele existe ontem, hoje e amanhã; Ele não pertence apenas a este tempo, mas é futuro e pode sustentar-nos em cada momento.
  Um tempo de discernimento, de aprendizagem, de vocação… E depois, enquanto tempo de estar com Ele, naturalmente tempo de oração, de escuta d’Ele. Ouvir, aprender verdadeiramente a escutá-Lo – na Palavra da Sagrada Escritura, na fé da Igreja, na liturgia da Igreja – e intuir o hoje na sua Palavra. Na exegese, aprendemos muitas coisas sobre o ontem: tudo o que havia então, as fontes que há, as comunidades que existiam, e assim por diante. Também isto é importante. Mas, mais importante é que, neste ontem, percebamos o hoje; que Ele, com estas palavras, fala agora e que todas elas encerram em si o seu hoje e que, para além do seu início histórico, contêm em si uma plenitude que fala a todos os tempos. E é importante aprender esta actualidade do seu falar – aprender a escutar – e assim poder dizê-lo aos outros homens. É verdade que, ao preparar a homilia para o Domingo, este falar – ó Deus! – muitas vezes está tão longe! Mas, se eu vivo com a Palavra, então vejo que de facto não está distante, é actualíssima, está presente agora, tem a ver comigo e diz respeito aos outros. E então aprendo também a explicá-la. Mas para isso é preciso caminhar de modo constante com a Palavra de Deus.
Uma coisa é estar pessoalmente com Cristo, com o Deus vivo; a outra é que temos possibilidade de acreditar sempre e só no «nós». Às vezes, digo que São Paulo escreveu: «A fé vem da escuta», não da leitura. Há necessidade também de ler, mas a fé vem da escuta, isto é, da palavra viva, das palavras que os outros me dirigem a mim e que posso ouvir; das palavras da Igreja através de todos os tempos, da palavra que actualmente me dirige por meio dos sacerdotes, dos bispos e dos irmãos e das irmãs. Faz parte da fé o «tu» do próximo, e faz parte da fé o «nós». E precisamente a exercitação no suportar-se mutuamente é muito importante; aprender a acolher o outro enquanto tal na sua diferença, e aprender que ele também deve suportar-me a mim na minha diferença, para nos tornarmos um «nós», a fim de podermos um dia também na paróquia formar uma comunidade, chamar as pessoas para entrarem na comunhão da Palavra e caminharem juntas para o Deus vivo. Faz parte disto o «nós» muito concreto que é o Seminário, como o será a paróquia, mas sempre também o olhar para mais além do «nós» concreto e limitado, ou seja, para o grande «nós da Igreja de todo o lugar e de todo o tempo, a fim de não fazermos de nós mesmos o critério absoluto. Quando dizemos «nós somos Igreja», dizemos certamente a verdade: somos nós, não uma pessoa qualquer. Mas o «nós» é mais amplo do que o grupo que o está dizendo. O «nós» é a comunidade inteira dos fiéis: os de hoje e os de todos os lugares e de todos os tempos. E não me canso de repetir ainda: é verdade que, na comunidade dos fiéis, existe por assim dizer o juízo da maioria efectiva, mas não pode jamais haver uma maioria contra os Apóstolos e contra os Santos: isso seria uma maioria falsa. Nós somos Igreja. Pois bem, sejamo-lo! Sejamo-lo precisamente no abrirmo-nos ultrapassando-nos a nós mesmos e no estarmos juntos com os outros.
Creio que, atendendo ao horário, deveria talvez concluir. Queria apenas dizer-vos mais uma coisa. A preparação para o sacerdócio, o caminho para ele requer, antes de mais, também o estudo. Não se trata de uma eventualidade académica que se deu na Igreja ocidental, mas é algo de essencial. Todos conhecemos estas palavras de São Pedro: «Estai sempre prontos a dar, em resposta a todo aquele que vo-lo peça, o logos da vossa fé» (cf. 1 Ped 3, 15). Hoje, o nosso mundo é um mundo racionalista e condicionado pelo carácter científico, embora este seja muitas vezes só aparente. Mas este espírito científico de querer compreender, explicar, de poder saber, da rejeição de tudo o que não seja racional é predominante no nosso tempo. Nisto há também algo de grande, apesar de frequentemente se esconder por detrás muita presunção e insensatez. A fé não é um mundo paralelo do sentimento, que possamos permitir-nos como um extra, mas é aquilo que abraça o todo, que lhe dá sentido, interpreta-o e lhe dá também as orientações éticas interiores, para que seja compreendido e vivido apontando para Deus e a partir de Deus. Por isso é importante estar informados, compreender, manter a mente aberta, aprender. Naturalmente, daqui a vinte anos, estarão na moda teorias filosóficas totalmente diversas das de hoje: quando penso como aquilo que era, entre nós, a moda filosófica mais alta e mais moderna, hoje já esteja completamente esquecido! Contudo não é inútil aprender estas coisas, porque há nelas também elementos duradouros. E sobretudo com isso aprendemos a julgar, a seguir mentalmente um pensamento – e a fazê-lo de modo crítico – e aprendemos a fazer com que, ao pensar, a luz de Deus nos ilumine e não se apague. Estudar é essencial: só assim poderemos enfrentar o nosso tempo e anunciar-lhe o logos da nossa fé. Estudar de modo crítico também – na certeza precisamente de que amanhã qualquer outro dirá algo de diverso –, mas ser estudantes atentos, abertos e humildes para estudar sempre com o Senhor, na presença do Senhor e para Ele.
Poderia, é verdade, dizer ainda muitas coisas e deveria talvez fazê-lo… Mas agradeço por me terdes escutado. E, na oração, tenho presente no meu coração todos os seminaristas do mundo – não tão bem, com os respectivos nomes, como os recebi aqui, mas encaminho-os interiormente para o Senhor: Que Ele a todos abençoe, a todos ilumine e indique a estrada justa e nos dê muitos e bons sacerdotes. De coração, muito obrigado!